Desmatamento com correntões puxados a tratores preocupa população de São João do Sóter

Grileiros invadindo e desmatando grande parte da mata nativa do município de São João do Sóter, com a utilização de correntões puxados a tratores preocupa a população. Após quase dois meses da morte do líder quilombola Edvaldo Rocha, assassinado no município, a comunidade volta a sofrer com o agravamento da violência no campo.

A imagem da corrente puxada por tratores, que é usada para desmatar áreas, tem se tornado cada vez mais comum no estado – é o que também denuncia a Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão.

Os conflitos no campo tem se acirrado. Nos últimos dois anos, foram oito mortes de lideranças quilombolas registradas, e somente em uma delas o autor do crime foi identificado.

A presidente da Fetaema, Ângela Silva, afirma que o agravamento dos conflitos no estado se deve a políticas equivocada, como a aposta no agronegócio e na liberação de licenças de forma indiscriminada. Outras entidades, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também vem acompanhando a situação.

O Governo do Maranhão alegou que está acompanhando o caso, e que a situação de conflito na região já está inserida em cronograma de vistoria para envio de equipe técnica tão logo seja possível, para averiguação do cumprimento dos requisitos exigidos nas licenças e autorizações, além da apuração da suposta ocorrência de ilícitos ambientais.

Sobre o uso de correntões, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) disse que a legislação ambiental vigente não proíbe a prática do uso do ‘correntão’ na destruição da mata nativa.