Pessoas com deficiência agregam valores de diversidade no mercado de trabalho

O mercado de trabalho tem muito a ganhar com a inclusão de pessoas com deficiência. Muito mais que contratações devido à obrigatoriedade legal por cotas; as empresas devem despertar para as vantagens em ter um ambiente com mais diversidade, incluindo pessoas com deficiência.

A APAE de São Luís prepara pessoas com deficiência para o mercado de trabalho. Atualmente existem mais de 250 alunos regularmente matriculados, crianças com deficiências múltipla ou intelectual, à partir dos seis anos de idade que frequentam a escola Eney Santana, mantida pela entidade. Nessa escola de educação especial, essas crianças são alfabetizadas para a futura inserção no sistema de educação regular. Aqueles que não conseguem essa inserção, e passam mais tempo na entidade, participam de outras atividades da instituição, voltadas para a profissionalização em várias áreas, para que possam ser posteriormente inseridos no mercado de trabalho, e assim ajudar suas famílias no processo de geração de trabalho e renda. A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é uma das áreas da Assistência Social desenvolvida pela APAE de São Luís.

A entidade também mantém , em parceria com o SENAC, diversos cursos como os de bordado, atendimento ao cliente entre muitos outros.

“Temos aqui um setor específico, onde mantemos convênios com várias instituições, micro, pequenas e grandes empresas que nos demandam profissionais PCD´s sempre que precisam. Eles nos passam os perfis das vagas que desejam preencher e nós fazemos um processo interno de seleção, e encaminhamos alunos da instituição para o mercado de trabalho” explica Emanuele Costa, gestora de serviços de saúde da instituição.

A pessoa com deficiência é formada pela Apae de São Luís para que ser um profissional com postura corporativa, mesmo dentro das suas limitações.

“Eles são treinados para entenderem como funciona o ambiente de trabalho, a postura que devem ter no mesmo, o respeito a todos e o trabalho em equipe, esses são valores que procuramos desenvolver na formação de pessoas com deficiência aqui na APAE de São Luís” ressalta Emanuele.

Já as empresas que irão receber esses profissionais devem preparar internamente suas equipes para que haja o adequado acolhimento dos profissionais PCD´s, onde o respeito e a empatia serão fundamentais para a produtividade desses novos colaboradores, que apesar de suas limitação, podem e devem contribuir com suas habilidades.

Carlos André Torres tem um encurtamento na perna, mas isso não o impede de atuar como auxiliar de almoxarifado. Ele foi contratado para essa função há pouco tempo pelo Laboratório Lacmar, e garante que desde o início foi bem acolhido e se sente à vontade para desenvolver seu trabalho e crescer na empresa:

“Fui muito bem recebido aqui e estou satisfeito nessa empresa. Quero trabalhar bem para crescer e conquistar um patamar maior” declarou ele.

Outra empresa com essa visão inclusiva é o Grupo Potiguar, que atualmente emprega um total de 33 pessoas com deficiências. A assistente de loja Josyane Silva é uma delas. O problema na fala não foi empecilho para a contratação, nem para que ela execute bem suas funções, conquistando o respeito de colegas e de clientes em geral.

“A nossa principal orientação para as empresas ao contratar PCD´s é a necessidade do respeito, do olhar de igualdade e de inclusão. A pessoa com deficiência mostra que é diferente por ter alguma limitação, mas todos temos capacidades e habilidades. E esse olhar de igualdade ajuda a desenvolver o melhor de cada profissional PCD. Todos temos um pouco pra ensinar e algo para aprender com eles. Aqui mesmo na Apae de São Luís e na Faculdade CEST temos vários colaboradores que foram alunos nossos, passaram pelo processo de formação e hoje são colaboradores eficientes, que contribuem muito no nosso dia a dia” lembra Emanuele Costa.

Rosilene Alves é ex- aluna da APAE de São Luís e foi contratada pela instituição. A colaboradora com deficiência intelectual é muito querida por todos, e revela que se sente realizada em poder contribuir com seus serviços e dedicação diariamente na entidade.

“Amo estar na Apae de São Luís, me sinto em casa aqui e não quero perder nenhum dia de trabalho. Sou feliz ajudando outras pessoas e devo muito a essa instituição” declara Rosilene.

Estudos mostram que trabalhadores PCD´s tendem a valorizar o emprego até mais que pessoas sem deficiência. Assim, as empresas no país devem enxergar a inclusão de colaboradores com deficiência como oportunidade, com muitas vantagens oriundas do ambiente corporativo mais diverso; e não como um problema legal a ser resolvido.