Maranhão completa um ano de pandemia com novo pico de casos

No dia 20 de março de 2020, o Maranhão confirmava o primeiro caso de covid-19. O paciente era um homem idoso, morador de São Luís, que retornava de uma viagem à São Paulo. Um ano depois, o estado totaliza 231.874 casos confirmados e 5.603 famílias que perderam seus entes queridos.

O Estado também vive a volta das restrições para desacelerar a transmissão do vírus. Restaurantes e bares fechados, novos pedidos de lockdown feitos, aulas presenciais suspensas, serviços públicos paralisados. Um esforço coletivo para tentar, mais uma vez, minimizar os efeitos da pandemia e proteger a vida dos maranhenses.

A angústia de viver uma doença tão incerta permanece sendo realidade para aqueles que testaram positivo para o novo coronavírus. O nosso MA10 também viveu o medo de ver membros da nossa equipe acometidos pela doença. É o caso do jornalista Camilo Durans, de 33 anos, que testou positivo para a covid-19 no dia 23 de fevereiro. Em seu relato, Camilo conta a sua experiência.

“Relembrar tudo o que passei é até complicado. Foram dias difíceis e de muito exercício de fé. O vírus está aí, para muitos não existe, mas eu pude sentir na pele que ele é real e traz prejuízos para nós, para a família e para os amigos. Esse sentimento é ruim, pois existe toda uma estrutura abalada por trás de tudo isso. Senti vários sintomas, e o pior de tudo foram as crises de ansiedade e o emocional abalado, que juntos com os sintomas, trouxeram transtornos físicos e muita falta de ar, que talvez seja um dos sintomas mais difíceis de conviver. Só tenho a agradecer a Deus pelo livramento e a oportunidade de voltar à rotina normal do dia a dia”.

Para as famílias que foram surpreendidas com a perda de um ente querido, a saudade é diária. Fadua Murad é mãe de Natália, 22 anos, uma das vítimas do novo coronavírus.“Pra mim ainda é muito inacreditável que ela não volta mais pra casa”, disse.

Em entrevista para o MA10, Fadua contou um pouco de tudo que passou.

“O luto durante a pandemia é muito solitário e faz mais ainda a pessoa demorar a acreditar no que aconteceu. O que tive muito foram chamadas de vídeo dos amigos dela, que eram muito unidos, e da minha família. Mas não é a mesma coisa. A missa na internet então é muito diferente. Tivemos apenas uma [missa] presencial, que foi no dia que seria o aniversário dela, em outubro.

Em outubro e novembro tive contato com mais pessoas, por conta do café que temos, voltei a trabalhar e lá encontrei mais as pessoas. Ter que falar sobre o assunto após 6 meses, as pessoas perguntando como se tivesse acabado de acontecer, foi bem estranho.

A pandemia ainda está aí, mas o medo não. As pessoas não tem medo, porque parece muito distante da vida delas. Elas olham na TV, parece tão distante. As pessoas agem como se acontecesse só com pessoas fracas ou doentes. Me perguntaram muito qual a doença que Natalia tinha. Ela não tinha nada.

Eu fiquei 12 dias no hospital com ela. Os últimos… E não é uma questão de ter leito ou não. Simplesmente as pessoas estão ali e não melhoram. Quando fui, a UDI abriu a uti aberta para ficar as pessoas com covid juntos. Acho que tinham seis com ela e mais três do outro lado. Ninguém melhorava. Estavam só ali.

Se eu pudesse, falaria às pessoas que não pensem que se pega covid apenas quando se tem algum tipo de comorbidade. Se pega como uma gripe. Então faça de tudo para se proteger e a sua família. Quando alguém que se ama vai embora pra sempre, não tem mais o que ser feito”

Linha de frente

Lutar pela vida, encarar o medo de ser infectado e ter a vida pessoal pausada durante um ano é a realidade dos profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Para o médico intensivista Filipe Amado, que trabalha em Unidade de Terapia Intensiva com pacientes acometidos pela covid-19, foi um ano difícil, de aprendizados e desafios. Por meio de vídeo, Filipe relatou para o MA10 como está sendo trabalhar neste combate.

O enfrentamento

Em maio de 2020, o Governo do Estado, após determinação da justiça, decretou lockdown nos municípios da Grande Ilha. Durante 10 dias, a entrada e saída da Ilha de São Luís foram fechadas, foi suspenso a circulação de veículos particulares, exceto para motivos considerados essenciais, e o uso de máscaras foi decretado obrigatório.

Para o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, o enfrentamento da covid foi a tarefa mais difícil de sua vida e todos os esforços foram feitos para evitar que sistema entrasse em colapso.

O médico epidemiologista Antonio Augusto Moura pontua que, durante a gestão da pandemia, houve erros graves, especialmente do Governo Federal. Ele pontua a falta de comunicação e o atraso na compra de vacinas.

O médico explica que o vírus é uma loteria. Enquanto alguns desenvolvem sintomas leves, outras pessoas tem dificuldade de combater o vírus por razões genéticas. Ele também alerta para o aumento dos casos de coronavírus em crianças e adolescentes.

Dose de esperança

As primeiras doses da vacina contra a covid-19 chegaram em São Luís em 18 de janeiro deste ano. O lote continha 123.040 doses da CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan e a chinesa Sinovac.

Hoje o Maranhão contabiliza 631.640 doses recebidas, sendo 98 mil da AstraZeneca e 533.640 da CoronaVac. Até agora 340.868 foram aplicadas nos 217 municípios maranhenses. O quantitativo corresponde ao total de 242.349 doses de CoronaVac e 98.519 doses da AstraZeneca.

A técnica de enfermagem Egle Martins Maia foi a primeira maranhense a tomar a vacina. Mesmo vacinada, Egle permanece com todos os cuidados. “A vacina para mim representa a esperança de dar continuidade a vida”, disse. Confira seu relato para o MA10.

Linha do tempo da pandemia