Transplantes diminuem na pandemia e lista de espera cresce no MA

Um número que já era baixo, tornou-se ainda menor com a pandemia de covid-19: o de transplantes realizados no Brasil. Em casos de óbitos por suspeita ou confirmação da doença, os órgãos não podem ser utilizados. Mais de 43 mil brasileiros precisam de um transplante de órgão. Dados do Ministério da Saúde indicaram uma queda de 37,1% nos transplantes de órgãos no Brasil em 2020.

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, ao mesmo tempo em que o número de doações caiu, a taxa de mortalidade de quem está na fila de espera aumentou de 10 a 30%.

A pandemia causou descarte de órgãos infectados, aumento da negação familiar para que os entes fossem sepultados rapidamente, contraindicação para a realização do procedimento nos casos em que o receptor pudesse esperar com tratamentos paliativos e até falta de logística aérea para que órgãos viajassem para outras cidades.

Maranhão

No Maranhão, a fila de espera é de 942 pessoas aguardando a doação de algum órgão. Dessas 942 pessoas, 682 aguardam  pelo transplante de córnea, 269 para uma doação de rim e uma pessoa pela doação de fígado, segundo dados da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde.

A Central recebe as notificações de óbitos e suspeita de morte encefálica de todos os hospitais no estado. O gerenciamento dessas informações possibilita a captação e distribuição dos órgãos para transplante. O Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) é a unidade habilitada para realização do transplante.

Para ser um doador só é preciso manifestar o desejo ainda em vida ou com autorização da família.

Como funciona um transplante? 

O transplante pode ser realizado com indivíduos acima de um ano, e a idade limite irá depender do órgão a ser transplantado. O coração, por exemplo, requer um paciente mais jovem, já o rim aceita um paciente mais idoso.

Quem pode ser doador de órgãos?


O doador para fins de transplantes de órgãos (rins, fígado, coração, pâncreas e pulmões) pode ser qualquer pessoa, adulto ou criança, com diagnóstico definido de morte cerebral. A morte cerebral, ou encefálica, é irreversível e é confirmada por critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina, envolvendo a identificação de causa de morte irreversível, a realização do teste de apneia – teste que confirma a ausência de movimentos respiratórias – e outros exames, que confirmam a falta de fluxo sanguíneo nos tecidos cerebrais.

É possível doar em vida?


Sim, é possível. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, medula óssea e, mais raramente, parte do intestino, parte do pulmão ou parte do pâncreas. Potencialmente, qualquer pessoa saudável maior de 18 anos pode ser uma doadora de órgãos. Entretanto, o doador deve ser parente do receptor em até quarto grau e possuir compatibilidade sanguínea. Caso o doador não seja um parente relacionado é necessária autorização judicial.