Brasil busca relações com novo presidente dos Estados Unidos

A chegada de Joe Biden à Casa Branca provocará uma tentativa de reconstrução das relações entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, com reflexos diretos na condução da política externa brasileira. Depois de ecoar queixas do ex-presidente Donald Trump, que denunciava supostas fraudes nunca comprovadas na eleição, Bolsonaro fez uma segunda concessão nesta quarta-feira, 20, ao cumprimentar Biden pela posse como 46º presidente dos EUA.

Até agora, porém, não houve contatos formais entre a embaixada e o Palácio do Planalto e o novo governo – até então de transição. A equipe de Biden evitou ao máximo qualquer relação com representantes de governos externos. Diplomatas da embaixada brasileira mantiveram apenas contatos informais e querem buscar reuniões de trabalho o quanto antes na Secretaria de Estado.

A agenda de Biden é conflituosa com a de Bolsonaro principalmente nos temas do meio ambiente dos direitos humanos, que voltam a figurar entre as pautas prioritárias de Washington

Bolsonaro foi representado em Washington na posse pelo embaixador Nestor Forster Junior, que serve há anos no país e é reconhecido pelos pares como conhecedor dos meandros da política norte-americana. Em telegramas revelados pelo Estadão, porém, ele deu mais ênfase às reclamações de Trump ao longo da apuração eleitoral, e foi questionado por uma postura mais ideológica, próxima do escritor Olavo de Carvalho e influenciada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Forster e sua equipe enfatizaram que contatos políticos com os partidos Democrata e Republicano são “rotina” no trabalho da embaixada, independentemente de quem esteja no poder, no Capitólio ou na Casa Branca.

Interesses

Reservadamente, embaixadores de alto escalão do Itamaraty avaliam que a Secretaria de Estado reconhece o profissionalismo dos quadros brasileiros. Eles afirmam que há interesses econômicos e comerciais, além de outras colaborações diversas, entre elas a militar, mais abrangentes do que eventuais divergências.

Além disso, dizem que Biden não tem interesses em, ao se afastar completamente, abrir espaços para o avanço da influência chinesa na América Latina, um objetivo declarado do presidente Xi Jinping.

Num primeiro momento, no entanto, a relação e as tratativas devem se reduzir a um mínimo possível, atrapalhando, por exemplo, as conversas em prol de um almejado acordo comercial entre os países, alardeado pelo Ministério da Economia. Há desconfianças de lado a lado sobre como a relação pode se construir, por causa do choque de agendas, e quais atores poderão aproximar os presidentes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.