“Faça a sua parte na luta contra o mosquito” é o tema principal da nova campanha da Secretaria de Estado da Saúde (SES) para mobilizar o Maranhão a adotar medidas de prevenção ao Aedes aegypti, sobretudo com a proximidade do período chuvoso. A mobilização aconteceu no bairro do Maiobão, em parceria com a Prefeitura de Paço do Lumiar, promovendo diálogo com moradores e a nebulização espacial via carros UBV (fumacê).

“Nós conhecemos o mecanismo de transmissão, que é através do mosquito Aedes aegypti, por isso é tão importante criarmos uma barreira, destruindo os focos e impedindo a sua reprodução. Somente a ação dos agentes não irá resolver o problema, pois o combate deve ser uma ação tanto do poder público como da própria sociedade”, disse a coordenadora Estadual de Prevenção e Controle das Arboviroses, Graça Lírio.

No Maranhão, até o momento, 1.768 casos foram confirmados de dengue, 64 de zika vírus, 105 de chikungunya e nenhum registro de febre amarela. De acordo com o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), dos 217 municípios maranhenses, 84 se encontram em situação de baixo risco (38,7%), 50 em risco médio (23,0%) e 2 em alto risco (0,9%).

Entre os municípios da Grande Ilha, Paço do Lumiar foi o que apresentou maior incidência do Aedes, com 1.2 de índice, seguido de São José de Ribamar e Raposa com 1. O bairro do Maiobão foi escolhido em razão da densidade demográfica e extensão territorial. A cidade de São Luís não foi contabilizada por não ter realizado o último LIRAa.

A ação no bairro teve início nesta segunda-feira (21), com a nebulização feita pelos carros UBV (fumacê). Durante 15 dias, os veículos farão a aplicação do inseticida, sempre nos horários das 4h às 7h e 17h às 19h. A ferramenta é utilizada quando o índice de infestação é maior que 1, tendo como objetivo final eliminar o mosquito já em sua fase adulta, impedindo assim que ele se multiplique.

Segundo Rafael Pessoa, coordenador da Vigilância em Saúde de Paço do Lumiar, o município foi todo dividido em distritos, onde cada supervisor de campo faz o monitoramento junto com os agentes de endemias. “São realizadas ações tanto em domicílios como em prédios abandonados e terrenos baldios. É feito o controle larvário para evitar infestação do mosquito, assim como a orientação da sociedade, executado pelo Programa de Educação em Saúde”, explicou.

Para a aposentada Maria das Neves, de 73 anos, a limpeza é essencial. “Todos os dias eu lavo a área lateral, assim como o terraço. O quintal, por ser uma área grande, tenho um cuidado maior, evitando deixar sujeira e objetos destampados”, contou.

O borracheiro Rafael Silva, de 27 anos, comentou que a cada dois dias faz a troca da água que mantém armazenada para o uso no trabalho. “É importante prestar atenção em como está a organização do espaço, se está limpo e bem arrumado. E esse cuidado eu tenho não apenas aqui no meu trabalho, mas também na minha casa, fazendo o recolhimento diário do lixo, deixando tudo bem fechado para impedir que o mosquito encontre um lugar onde pousar”, pontuou.

A mobilização conta também com o apoio de um carro de som fazendo o chamamento da população para uma atitude mais consciente. Aliado a isso, os agentes de endemias estadual e municipal fazem o trabalho corpo a corpo, levando informação sobre descarte correto do lixo, como manter as áreas do entorno sem água empossada, além de atitudes mais cidadãs quanto à manutenção da limpeza urbana.

Em razão da pandemia do coronavírus, os agentes não puderam entrar nas residências para fazer a vistoria interna. Entretanto, as casas com área peridomiciliar, ou seja, espaços externos sem conjugação com os cômodos internos, estas puderam receber a vistoria, desde que com a permissão do proprietário.

No total, 10 localidades receberão a ação epidemiológica, são elas: Maiobão, Tambaú, Upaon-Açú, Residencial Carlos Augusto, Vila Epitácio Cafeteira, Vila do Povo, Alto Laranjal, Maioba do Mocajituba, Residencial Lima Verde e o centro de Paço do Lumiar.