Confrontos entre candidatos geram discordâncias e provocações durante o debate Ponto e Vírgula

No terceiro bloco do debate Ponto e Vírgula, transmitido simultaneamente pela TV Difusora, rádio Difusora 94FM e portal MA10, todos os candidatos tiveram a oportunidade de realizar perguntas e respostas com temas livres. Cada um teve 30 segundos para formular a pergunta, 1 minuto para a resposta, 1 minuto para réplica e 30 segundos para a tréplica.

Estiveram presentes no debate Ponto e Vírgula, o último promovido antes do primeiro turno das eleições municipais em São Luís, os candidatos: Bira do Pindaré (PSB), Franklin Douglas (PSOL), Jeisael Marx (Rede Sustentabilidade), Neto Evangelista (Democratas), Rubens Pereira Júnior (PCdoB) e Yglésio Moysés (PROS). Duarte Júnior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos) não participaram devido, respectivamente, infecção por COVID-19 e agenda programada para bairro da capital maranhense.

YGLÉSIO MOYSES X NETO EVANGELISTA

O candidato do PROS começou comentando que teria comparecido ao debate para “debater propostas e não para atacar ninguém”. Na sequência, ele direcionou pergunta ao candidato do Democratas sobre o planejamento da COVID-19 para o ano de 2021 e as estratégias que seriam aplicadas na capital maranhense.

“Todas as prioridades mudaram depois dessa pandemia. As prioridades que se tinham na educação, na saúde, na assistência social, passaram a ser outras. Com uma condição financeira e econômica completamente diferente de outros anos. Nós temos no nosso plano de governo um centro de reabilitação pós-Covid-19, que vai tratar – justamente – das pessoas que têm asma, diabetes, hipertensão, pessoas do grupo de risco. E, acima de tudo, pessoas que ficaram com sequelas, que desenvolveram distúrbios de ansiedade, de depressão, e que precisam da atenção do poder público”, disse o candidato do DEM.

Yglésio lembrou Neto que já existe centro de reabilitação voltado para a Covid-19, o Centro de Saúde Genésio Ramos Filho, e que não seria necessária a construção de outro local. Falou que já são oferecidos tratamentos com psicólogos, cardiologistas e que, esta semana, começam atendimentos com pneumologistas e psiquiatras.

“Você sabe mais do que todo mundo aqui no debate, aliás, todos os debates você vem sempre desqualificando todo mundo e você é o melhor de todos. Você que está em casa, está conseguindo resolver todos os seus problemas com relação à Covid-19? Eu tenho certeza que não. Existe um serviço, o serviço é pequeno e nós precisamos ampliar”, rebateu Neto.

NETO EVANGELISTA X RUBENS PEREIRA JÚNIOR

Ao candidato do PCdoB, Neto Evangelista indagou sobre as “propostas irreais” e refletiu que 2021 será um ano “muito difícil de administrar a cidade de São Luís”.

“A política não pode ser o espaço do vale-tudo, a população repudia isso. A população consegue perceber o que é uma proposta real, do que é apenas uma propaganda. Quando a gente registra a candidatura, é obrigado a assumir alguns compromissos, antes isso nem existia. A população dava um cheque em branco para o gestor. A gente percebe a carência que há em muitas propostas, que só aparecem na propaganda. Isso não tem no meu acordo, não tem nosso aceite, não tem nossa pactuação, tem na verdade nosso repúdio. Eu vim aqui para debater propostas, nós não viemos aqui para agredir ninguém, ainda mais quem está ausente nesse momento”, disse Rubens.

Neto reafirmou que será um prefeito que estará nas ruas para debater a cidade, para encontrar os problemas junto com os cidadãos, viabilizando soluções, iniciando pelo básico. “[…] Pensando nossa cidade para o futuro, ela tem grandes potenciais: turísticos, de lazer, históricos, culturais”, garantiu.

RUBENS PEREIRA JÚNIOR X BIRA DO PINDARÉ

Rubens Júnior lembrou que a pandemia mudou a realidade das pessoas e, inclusive, a pauta eleitoral. Disse que um dos setores que mais sofreram foi o da educação, pela suspensão das aulas por um longo período. Por isso, quis saber de Bira qual planejamento para a retomada no ano que vem, a fim de minimizar o prejuízo da população.

“A partir do dia primeiro de janeiro, eu como prefeito da cidade, não haverá imposição, nós vamos mobilizar toda a comunidade estudantil, incluindo os profissionais da educação, gestores, pais e mães de família, todos envolvidos no processo educacional, para que a gente possa decidir isso juntos”, assegurou.

O candidato do PCdoB frisou que “sem diálogo nenhuma construção é possível” e que defende a retomada das aulas no dia 1° de fevereiro. Ele falou sobre a retomada na rede privada e que não deve haver diferença entre o ensino. “Muitas escolas sequer têm água, então durante o mês de janeiro faremos reformas paliativas, não são obras estruturantes, para garantir pontos de higienização, ventilação, condições sanitárias, testagens nossos professores e outros mecanismos complementares”, avisou Rubens.

BIRA DO PINDARÉ X JEISAEL MARX

O candidato do PSB lembrou que São Luís tem quase 80% da população formada por negros e negras; e que o combate ao racismo tem tomado proporção em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos, influenciando até o processo eleitoral para a escolha do novo presidente do país. Para Jeisael, Bira perguntou qual a proposta para o tema no Maranhão.

“As pessoas privadas de liberdade são, em sua maioria, jovens de 16 a 29 anos, pessoas de matriz africana, negros e pardos. Nós temos o racismo estrutural, que nós precisamos combater, e nós temos uma população majoritariamente negra, temos o bairro da Liberdade – o maior quilombo urbano. E a gente têm essas populações privadas de direitos, de serviços públicos. O ideal seria que tivéssemos uma secretaria mas, por enquanto, é uma coordenação dentro das secretarias com recurso para atuar nesse sentido”, adiantou o candidato do partido Rede.

Bira, então, falou que irá criar a Secretaria de Igualdade Racial, para organizar a política de igualdade, garantir a reserva de vagas, a valorização do maior quilombo do Brasil – Liberdade – e “que precisa ser reconhecido como tal”. Lembrou também que deve ser priorizada a Lei que garante o ensino da história africana nas escolas. “Valorizar a identidade africana que está em nós, nossa origem, somos sub representados, somos minoria entre os candidatos”, defendeu.

JEISAEL MARX X YGLÉSIO MOYSES

Sobre propostas mirabolantes, Jeisael reforçou que a propaganda eleitoral se transformou em “um concurso de mentiras” e que “dizer que vem para um debate sem estar treinado pelo ‘marketeiro’ é mentira”, chegando a exemplificar quanto a falas do candidato Rubens Júnior, dizendo até que – em entrevistas – são treinadas [a citação rendeu a Rubens direito de resposta no 4° bloco].

“Eu amo o que eu faço. Eu ‘tô’ colocando meu coração aqui para ser prefeito de São Luís por que eu me preparei, e eu gosto de gente. Eu sou médico, todo dia eu atendo – praticamente – pacientes. Uma vez no mês eu vou no interior dar plantão. Eu não vivo de mandato de deputado. Quando eu terminar a minha missão, eu vou voltar, mas não vou chegar aqui para mentir”, assegurou Yglésio.

O jornalista falou que têm discordâncias com o médico, mas que ambos têm tido a preocupação de “trazer propostas que possam, realmente, ser colocadas em prática”. Lamentou, ainda, o que chamou de “Liga dos Deputados”, quando um chama o outro para debater.

FRANKLIN DOUGLAS X RUBENS PEREIRA JÚNIOR

Após sorteio, foi decidido que Franklin Douglas perguntaria para Rubens Júnior. O candidato afirmou que a cidade de São Luís tem orçamento de R$ 484 milhões de reais voltados para a previdência. Franklin pincelou que o PCdoB votou, “corretamente”, contra a Reforma da Previdência no Congresso Nacional e perguntou o posicionamento de Rubens sobre a questão.

“É uma determinação legal de que todos os municípios o façam, há uma defasagem na cidade de São Luís. O que nós iremos fazer, as mesmas alíquotas adotadas pelo governo Flávio Dino. Eu não tenho duas posições e defendi na época. Quem ganhar menos, vai pagar menos, quem ganhar mais, vai pagar mais, isso é correto. É correto, inclusive, do ponto de vista da capacidade distributiva de cada um. A previdência não pode ser jogada de lado, não cabem falácias ou propagandas, e a palavra final será do poder legislativo. A Câmara terá liberdade para tomar as medidas”, disse Rubens.

Franklin disse que o discurso de Rubens seria “incoerente”. “O Rubens, deputado federal, sequer se licenciou para votar contra a reforma da previdência, deixando Gastão Vieira, que ocupa o mandato dele votando lá com o governo Bolsonaro”, provocou o candidato do PSOL.

BIRA DO PINDARÉ X FRANKLIN DOUGLAS

Para Douglas, o candidato do PSB fez a mesma pergunta que havia sido direcionada ao candidato Jeisael Marx. Também após sorteio, Franklin respondeu a questionamento sobre o combate ao racismo.

“A gente tem a criação da Secretaria Municipal de Combate ao Racismo e Promoção à Igualdade Racial, fortalecer o conselho, retomar o plano, fazer empreendedorismo afro para as mulheres negras poderem ter trabalho, fazer várias atividades dentro de resgatar a história da África dentro do ensino das escolas municipais, concurso público. Coerência, não tergiversar em relação a Alcântara. Lá têm muitos negros e quilombolas que estão sofrendo com as políticas de Bolsonaro”, cobrou o candidato do PSOL.

Bira disse que faltou atenção da parte de Franklin quanto ao seu programa de governo, já que chegou a colocar a questão de Alcântara em um programa que levou ao ar durante propaganda eleitoral. “Eu fui o único deputado do Maranhão que votou contra, inclusive, o acordo com os Estados Unidos sem a consulta prévia às comunidades quilombolas. Eu sou presidente da Frente Parlamentar Quilombola, tenho liderado essa luta dentro do Congresso Nacional e tenho o respeito dos colegas, inclusive do seu partido PSOL”, finalizou.