Polyanna Sales judiciária-médica do TJMA alerta sobre a prevenção à surdez

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, celebrado neste 10 de novembro, a analista judiciária-médica do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), Polyanna Sales, esclareceu algumas dúvidas sobre a deficiência, tipos de tratamentos, fatores de risco, prevenção e tratamento.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA 

A deficiência auditiva consiste na perda parcial ou total da capacidade de detectar sons, causada por má-formação (causa genética), lesão na orelha ou na composição do aparelho auditivo. Já a surdez é a dificuldade ou total ausência da audição.

A audição é constituída por um sistema de canais e pequenos ossos que conduzem o som do ouvido externo até o ouvido interno, onde essas ondas sonoras são transformadas em estímulos elétricos que são enviados ao cérebro, órgão responsável pelo reconhecimento e identificação daquilo que ouvimos.

TIPOS

Entre os tipos de deficiência auditiva estão a condutiva, mista, neurossensorial e central. Na deficiência auditiva condutiva ocorre interferência na condução do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna pelo acúmulo de cera de ouvido, infecções (otite) ou imobilização de um ou mais ossos do ouvido e, na maioria dos casos, o problema pode ser corrigido com tratamento clínico, medicamentoso ou cirurgia. 

Já a perda auditiva neurossensorial ocorre quando há uma impossibilidade de recepção por lesão na orelha interna (cóclea) ou no nervo auditivo. Esse déficit de audição é desencadeado por: viroses, meningites, uso de certos medicamentos ou drogas, propensão genética, exposição ao ruído de alta intensidade, envelhecimento, traumas na cabeça, defeitos congênitos, alergias, problemas metabólicos (hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado), tumores. 

TRATAMENTO 

O tratamento é feito com medicamentos, cirurgias, uso de aparelhos, implantes cocleares que estimulam o nervo auditivo ou pode ser irreversível. A deficiência mista ocorre quando há ambas as perdas: condutiva e neurossensorial numa mesma pessoa.

OUTROS FATORES

– Casos de surdez na família; 
– Nascimento prematuro; 
– Baixo peso ao nascer; 
– Uso de antibióticos tóxicos ao ouvido e de diuréticos no berçário;
– Infecções congênitas, principalmente, sífilis, toxoplasmose e rubéola;
– Alcoolismo e tabagismo.

Os problemas relacionados à audição podem acometer pessoas das mais diversas faixas etárias. Em geral, a deficiência auditiva pode ser congênita ou adquirida como já citado anteriormente. Dessa forma, ou já se nasce com alguma complicação ou ela vai surgindo aos poucos e ao longo da vida. Porém, em alguns casos, pode ocorrer a surdez súbita.

QUANDO SUSPEITAR

Na deficiência auditiva congênita, pode-se perceber na criança atraso na aquisição da linguagem, déficit de aprendizagem, dificuldade de interação social por não conseguir se comunicar, isolamento social. Geralmente, a criança não se assusta com ruídos ou só consegue ouvir barulhos altos.

Na vida adulta, 30% das pessoas com idade entre 65 a 74 anos têm perda auditiva e 40% a 50% das pessoas com 75 anos ou mais têm essa condição. Mais de 9,7 milhões de brasileiros têm perda auditiva. Na população adulta, estudos evidenciaram que a deficiência auditiva inicia por volta dos 30 anos, aumentando progressivamente com o passar dos anos. 

SINTOMAS 

Os sintomas mais frequentes são a percepção do zumbido nos ouvidos e a queixa de que “eu escuto, apenas não entendo”. Caso você perceba alguma dificuldade para entender o que é falado ou alguém da sua família tenha alguma dificuldade, procure um médico otorrinolaringologista ou algum centro auditivo e faça uma triagem auditiva.

A surdez no idoso ocorre de modo lento e gradativo e, se caracteriza pela perda da audição progressiva, semelhante entre as orelhas e com prejuízo na percepção dos sons agudos inicialmente. Pode vir acompanhada também de vertigem, zumbido e desequilíbrio. 

Veja a seguir alguns dos principais sinais de alerta: dificuldade para se comunicar em lugares ruidosos, leitura labial durante a conversa, intolerância a sons intensos, dificuldade para ouvir aparelhos eletrônicos, isolamento social e depressão.

A surdez pode também se manifestar de maneira súbita. A pessoa dormir bem e acordar sem audição.

O QUE FAZER

Sempre que forem percebidos alguns dos sinais mencionados acima, deve-se procurar assistência médica: otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo para iniciar investigação, diagnóstico e tratamento adequados.

COMO AVALIAR SUA AUDIÇÃO

A avaliação da capacidade auditiva começa logo após o nascimento com o Teste da Orelhinha, que funciona como uma triagem inicial para distúrbios da audição e, a partir do qual outros exames serão realizados se esse Teste demonstrar alguma alteração inicial.

Um teste auditivo é constituído de vários exames, os quais quando feitos juntos podem determinar se você sofre ou não de perda auditiva, bem como o grau e a intensidade dessa perda. Um teste auditivo é feito por um profissional especializado em audição com equipamentos profissionais.

TRATAMENTO

Deficiência auditiva tem cura? Depende. Para saber se a perda auditiva que você possui tem ou não cura, é preciso passar por uma avaliação e acompanhamento de fonoaudiólogos ou otorrinolaringologistas, para que o quadro possa ser observado atentamente. Diversos tratamentos atualmente estão disponíveis, que vão desde medicamentos, cirurgias, aparelhos auditivos e implantes cocleares e de condução óssea com tecnologia avançada, dependendo da causa.

É verdade que alguns desses tipos de perda auditiva não possuem cura, por conta do dano irreparável na estrutura do aparelho auditivo, mas existem diversos tratamentos e reabilitação para perda de audição eficientes em reduzir o impacto do problema e melhorar a capacidade de ouvir do paciente e suas condições de interagir normalmente em sociedade.

Uma das alternativas mais utilizadas é o uso de aparelhos auditivos. São as perdas classificadas leves, moderadas e severas que podem ser tratadas com o uso de aparelhos auditivos. Esses dispositivos eletrônicos têm o objetivo de amplificar os sons do ambiente, permitindo que o paciente com perda auditiva possa, assim, escutá-los e interagir com eles. Habilidades de leitura labial, texto escrito e língua de sinais podem ajudar com a comunicação.

PREVENÇÃO

Nas gestantes, doenças como sífilis, rubéola e toxoplasmose podem provocar a surdez nas crianças. Por isso, faz-se necessária a orientação médica pré-natal. Mulheres devem tomar a vacina contra a rubéola antes da adolescência, para que durante a gravidez estejam protegidas contra a doença;
Teste da orelhinha: exame feito nos recém-nascidos permite verificar a presença de anormalidades auditivas;

Cuidado com objetos pontiagudos, como canetas e grampos, pois se introduzidos nos ouvidos, podem causar sérias lesões; devem ser mantidos longe do alcance das crianças;

Atraso no desenvolvimento da fala das crianças pode indicar problemas auditivos, sendo motivo para uma consulta com um médico especialista, evitando assim maiores problemas.

Uso de equipamentos de proteção para trabalhadores expostos aos riscos ocupacionais provocados pelo ruído;

Acompanhamento da saúde auditiva dos trabalhadores, por parte das empresas, visando à eliminação ou redução do ruído no ambiente de trabalho;

Evite sons altos. A poluição sonora é uma das causas principais de perda auditiva em jovens, devido ao hábito de ouvir música com um volume muito alto em fones de ouvido. A sensação de zumbido provocada por esse hábito pode ser decorrente de um trauma auditivo e é um sinal de alerta que precisa ser investigado por um médico;

Não use hastes flexíveis recobertas por algodão, muito menos outros objetos (chaves, grampos, clipes, lápis ou tampas de caneta) para “limpar” o ouvido. Cera não é sujeira, e sim uma proteção natural do ouvido. Se houver necessidade, seque as orelhas suavemente com um pano limpo ou algodão.

*Com informações do TJMA