Aposta de Fernando Diniz, Brenner se afirma e vira artilheiro do ano no São Paulo

Por Ricardo Magatti

Lançado no time profissional do São Paulo em 2017 por Rogério Ceni, Brenner virou a solução dos problemas do ataque da equipe treinada por Fernando Diniz. Oportunista e eficiente, o jovem atacante foi decisivo para a classificação do clube paulista às quartas de final da Copa Brasil ao marcar dois gols e se tornou o artilheiro são-paulino em 2020. O duelo terminou empatado em 2 a 2 e a vaga foi assegurada nas penalidades.

Quis o destino que Brenner fosse decisivo na eliminação do Fortaleza, treinado pelo técnico que o lançou para a equipe profissional do São Paulo. Se o Tricolor paulista oscila e ainda está longe de encantar o seu torcedor, a culpa não é do atacante de 20 anos, que se consolidou como titular e vem melhorando sua média de gols a cada jogo.

Brenner tem 11 gols em 21 jogos e passou Pablo, que tem nove, e Luciano e Daniel Alves (ambos com seis), para assumir a artilharia do São Paulo na temporada. O jogador ostenta uma média superior a 0,5 gol por jogo e vive a melhor fase de sua curta, mas promissora carreira. Ele balançou as redes sete vezes nas últimas seis partidas e comprovou que Diniz acertou em cheio ao colocá-lo entre os titulares no começo deste mês.

Nos dois confrontos diante do Fortaleza, Brenner foi responsável por marcar quatro dos cinco gols são-paulinos. O repertório de finalizações é vasto. No Morumbi, neste domingo, ele abriu o placar com um lindo voleio no canto esquerdo e anotou o segundo em arremate de primeira, sem deixar a bola cair. O jovem se destaca pelo bom posicionamento dentro da área e pelo alto índice de aproveitamento nas finalizações. É técnico, rápido e versátil, já que também pode atuar pelos lados.

Mas as atuações de destaque demoraram um pouco a vir. Algo comum na carreira de um atleta promissor, o jogador subiu das categorias de base para o profissional com muitas expectativas e teve dificuldade para deslanchar. Em 2018, em um ambiente turbulento, dentro de um clube que não conquista títulos desde 2018, e sob intensa pressão, o garoto marcou três gols em 25 aparições. Na temporada seguinte, foi emprestado para o Fluminense a pedido de Diniz e teve passagem discreta. Disputou seis jogos e deixou o clube carioca sem balançar as redes.

“O Brenner hoje vive um momento especial na carreira, na vida dele. É um garoto que tem uma aposta muito grande. Há jogadores que devido ao talento, sobem para o profissional com uma expectativa muito grande e se cria uma pressão enorme para um jovem de 16, 17 anos e que não é fácil administrar”, analisou o goleiro Tiago Volpi, que enalteceu no companheiro o seu amadurecimento e a virtude de ter paciência para esperar a sua oportunidade.

“No caso do Brenner os anos que tem passado, o que tem acontecido nesse processo, para ele, foram benéficos. De até mesmo ter rodado no ano passado, pegado uma outra experiência no Fluminense e retornado nesse ano com mais sequência, principalmente depois da pandemia. Ele soube esperar, soube trabalhar. O Diniz faz um trabalho muito bacana com ele, já tinha levado ele para o Fluminense e, como eu falei, tudo tem seu tempo e sua hora e acho que esse período de maturidade do Brenner tem chegado e ele está cada vez mais pronto para assumir essa responsabilidade que ele está assumindo agora”, acrescentou Volpi.

Diniz deu confiança a Brenner e apostou no atacante em um momento ruim do time, que havia sido eliminado da Libertadores. O jovem retribuiu com gols e conseguiu se afirmar. Suas atuações foram determinantes para as vitórias que mantiveram o treinador no cargo e resgataram a confiança da equipe em 2020. Ele personifica a arrancada do São Paulo, que briga entre os líderes do Brasileirão e tem chances de título na Copa do Brasil e sul-americana.

O técnico acompanha o jogador desde 2017, quando havia acabado de ser promovido aos profissionais, e teve participação fundamental na evolução do garoto. O comandante costuma conversar muito com seu elenco, especialmente os mais jovens, para entender a situação de cada um.

“Temos que saber se aproximar dos jogadores. A maior parte dos problemas não é tático, físico ou técnico. É saber oferecer um continente em que o jogador possa se sentir confortável. O Brenner eu levei para o Fluminense, entrava quase todo jogo. Quando saí, ele não foi mais relacionado. Pedi que se reintegrasse aqui. É muito talentoso, tem carisma do gol, é frio, técnico. Mas é jogador que precisa de apoio e tempo. Não dá para resolver o problema de todo mundo, mas quando tem a predisposição de ajudar a pessoa que está por trás do jogador”, frisou Diniz.

Na próxima quarta-feira, Brenner deve fazer seu sétimo jogo seguido como titular pelo São Paulo, que enfrenta o Lanús, na Argentina, no duelo de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana Mais uma oportunidade para o atacante melhorar ainda mais sua média de gols.

Informações do jornal O Estado de S. Paulo