Povos de terreiro apresentam requerimento para transformar Festa do Divino em Patrimônio Cultural Imaterial

A construção coletiva de políticas públicas destinadas aos povos de terreiro do Maranhão foi o tema em debate nesta terça-feira (20) durante reunião entre representantes dos povos tradicionais de matriz africana do Estado, com o secretário de Estado da Cultura (Secma), Anderson Lindoso. O momento também marcou a entrega do requerimento que solicita o reconhecimento da Festa do Divino como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

Durante o encontro, realizado no auditório da Biblioteca Pública Benedito Leite (BPBN), na Praça Deodoro, Centro de São Luís, o gestor da Cultura ouviu as demandas dos líderes religiosos no que diz respeito à manutenção da cultura tradicional desenvolvida nos terreiros maranhenses.

Os terreiros são espaços de religiosidade reconhecidos por aglutinar fé, devoção e cultura popular, assim como fazem os bois de terreiro, grupos de Tambor de Mina, de Tambor de Crioula e as festas do Divino Espírito Santo.

A partir desse primeiro encontro, o secretário Anderson Lindoso pactuou a construção coletiva e conjunta dessas políticas para o fomento e fortalecimento da tradição dos povos de terreiro, bem como para preservação das suas práticas, como explica o gestor da Casa do Tambor de Crioula e diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial da Secma, Neto de Azile.

“Os diálogos foram iniciados hoje e o secretário definiu o Departamento de Patrimônio Imaterial da Secma para conduzir o processo. A próxima reunião com o coletivo está marcada para o dia 27 de outubro”, detalha Azile.

Para Biné Gomes, presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afros do Maranhão, a construção de políticas públicas específicas para os povos de terreiro são importantes para os praticantes e para incremento do turismo.

“Nós precisamos ter esse apoio para que o próprio poder público comece a trabalhar o que de melhor nós temos. Os turistas que vêm de fora querem ir ao terreiro. A gente primeiro trabalha o pertencimento da nossa cultura e religiosidade e depois como trazer o turista para nossas festas”, avalia Biné Gomes.

O secretário Anderson Lindoso ressaltou, por exemplo, que é essencial desenvolver um calendário oficial de festas e festejos que envolvam as várias manifestações populares e religiosas presentes no território maranhense.

“A parte mais importante desse trabalho é transformar uma política de Estado em uma política de Governo. Há muito tempo tento fazer um calendário oficial de festas e festejos do Estado como um todo. É um trabalho meu com o Conselho, porque ele envolve não somente os povos de matriz africana, mas também todas as linguagens”, afirmou Anderson Lindoso.

Festa do Divino, Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão

Na oportunidade, o secretário Anderson Lindoso também recebeu requerimento das mãos das lideres dos terreiros, solicitando o Reconhecimento e Registro da Festa do Divino do Maranhão e Ofício das Caixeiras como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

O requerimento é o procedimento inicial o processo de registro como “patrimônio cultural de natureza imaterial dos bens culturais intangíveis que identificam os saberes e fazeres dos indivíduos, grupos ou comunidades portadores de história e memória no território do Estado do Maranhão”, conforme preconiza a Lei Estadual de nº 10.514 de 2016, que dispõe sobre o assunto.