Pesquisa mostra que 66% dos brasileiros querem voltar às atividades culturais

Uma pesquisa feita em parceria entre o Itaú Cultural e o Instituto Datafolha apontou que 66% dos brasileiros querem fazer alguma atividade cultural após a flexibilização das atividades do setor. Há uma intenção maior do retorno às atividades entre os solteiros e pessoas sem filhos e cinemas, shows, atividades infantis, biblioteca e centros culturais estão, nesta ordem, nos primeiros lugares da lista de intenção de retomada.

A pesquisa foi feita por telefone com 1521 pessoas com idades entre 16 e 65 anos e abrangeu todas as classes econômicas e regiões do País, sendo 42% do total moradores das regiões metropolitanas e 58% de cidades do interior. O índice de 66% da população com a intenção de participar de ao menos uma atividade do gênero nos próximos meses é maior do que os 52% que declararam ter participado de pelo menos uma atividade cultural nos últimos 12 meses.

O interesse na retomada da agenda cultural se mostrou mais intenso entre os indivíduos de 25 a 34 anos (74%) e entre os jovens de 16 a 24. Nesta faixa, 71% planejam voltar às atividades. O índice é menor no segmento de adultos com idades entre 35 a 44 anos (61%) e respondentes de 45 a 65 anos (60%).

Quem não tem filhos mostra mais interesse na retomada cultural (73%) do que o grupo dos que declaram ser pais (62%). Os solteiros com vontade de voltar às atividades (70%) é maior do o grupo dos casados (61%). As queixas também vieram. As pessoas sentiram mais falta de cinema (30%) e de shows musicais (24%). Mas, em compensação, eram essas também as atividades mais realizadas em tempos sem pandemia. Sobre os prejuízos maiores de um mundo sem cultura, elas falam em entretenimento e diversão (38%), interação entre as pessoas (20%), lazer em família (12%) e encontrar amigos (8%). Há ainda os que sentem falta de ampliar os conhecimentos (6%) e os pais querendo a volta das atividades infantis (3%).

O cinema é a atividade com a maior demanda para uma reabertura. Seu consumo reponde às vontades de 44% de intenção no total da amostra. Uma parcela de 58% dos entrevistados foi ao cinema nos últimos 12 meses. Uma regra vale para todos os casos: os entrevistados que informaram ter realizado alguma atividade nos últimos 12 meses são também os que mais manifestaram intenção de voltar a frequentar tal atividade, com destaque para saraus, bibliotecas, circo, dança, teatro e centros culturais.

Insegurança. O medo do contágio também é exposto na pesquisa. Exatos 39% dos entrevistados que indicaram pelo menos uma atividade que pretendem realizar após a reabertura informam que poderiam realizá-la em locais fechados. Mas 84% dos respondentes só voltariam a consumir cultura se ela ocorressem em locais abertos. De todos os pesquisados, 17% afirmam que só se sentirão seguros depois da descoberta de uma vacina.

Outro reflexo interessante indica uma regionalização do consumo cultural, o que viria a ser uma mudança pontual de um novo comportamento. O porcentual de entrevistados que pretendem realizar atividades culturais no próprio bairro sem uso de transporte (e isso inclui o próprio carro), um dado aferido em 28% antes da pandemia, subiu para 47%. Maior do que os 44% que garantem ir a outros bairros com a reabertura.

E como deve ser o espaço cultural para que uma pessoa volte a ter a confiança de sair de casa? O aferimento não se deteve com mais cuidado a essa pergunta, perdendo uma chance importante de informar aos empresários do setor o que eles precisam fazer para reconquistar seu público além do óbvio álcool gel e mesinhas distantes, mas trouxe dados. A obrigatoriedade dos lugares em oferecer primeiro a possibilidade do distanciamento social, a obrigatoriedade no uso de máscara e a disposição de equipamentos para de higienização, sobretudo álcool em gel, são os primeiros. Limpeza e higienização dos ambientes constantemente é um cuidado obrigatório citado por 91% dos entrevistados. A arquitetura remodelada para a ampliação e ventilação dos lugares é lembrada por 79%. E horários agendados é um desejo de 63%.

*Com informações do Estadão Conteúdo