Após divulgar vídeo, cantor sofre ataque racista nas redes sociais

A intenção era divulgar um vídeo nas redes sociais para conhecidos, fãs e amigos no intuito de compartilhar um pouco mais do ama fazer: cantar. Mas as imagens postadas no Instagram acabaram se tornando um sinônimo de ofensas e indignação.

O cantor maranhense Matheus Nunes, mais conhecido como ‘Matheusinho”, foi vítima de injúria racial, após a página de um amigo divulgar um de seus vídeos cantando nas redes sociais. Entre os comentários, um perfil questionou: “Ué, como ele saiu da nota de 20?”. A cédula de R$ 20 reais tem como animal estampado o mico leão dourado.

Matheusinho afirma que ficou abalado com o que leu, que a justiça deve ser mais severa em situações como essa, e deseja que o responsável pague pelo crime. “Ninguém nasce racista, mas a partir do momento em que a gente acrescenta brincadeiras bobas, com piadas com a cor, o cabelo, religião, desde cedo que fazem as pessoas olharem de forma negativa. Eu não tolero que isso aconteça comigo, com amigos, ou qualquer outra pessoa. Eu defendo a minha cor”, afirma o cantor.

Após o comentário, o cantor registrou um boletim de ocorrência na delegacia e acionou a Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, vinculada à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB-MA). O cantor afirmou que foi a primeira vez que passou por essa situação após o compartilhamento de um vídeo de trabalho.

A comissão responsável da OAB está apurando o caso de injúria racial e tomando todas as providências possíveis. De acordo com o presidente da CVENBOA, o advogado Erik Moraes, uma audiência está marcada na delegacia no próximo dia 16 e após a conclusão do inquérito, o caso será enviado para o Ministério Público do Maranhão (MPMA).

Logo após o ocorrido, o cantor fez uma transmissão ao vivo explicando o que aconteceu aos mais de 29 mil seguidores no Instagram e agradeceu aos fãs pelas mensagens de apoio e incentivo. “Gostaria de agradecer a todos pelo carinho, às vezes eu fico lembrando e fico triste, mas eu estou tentando continuar, seguir com meu trabalho, fazendo o que amo”, afirmou o cantor.

Levantamento

De acordo com a Delegacia de Crimes Raciais, Delitos de Intolerância e Conflitos Agrários (DECRADI-DECA) , ano passado a delegacia contabilizou 18 inquéritos concluídos de racismo e injúria racial e encaminhados à Justiça. Os agressores já estão respondendo a processo no âmbito da Justiça. Ainda segundo a delegacia, outros 18 inquéritos estão abertos de crime de racismo em investigação.

As denúncias de racismo são feitas pelas vítimas na delegacia, que instaura o competente inquérito policial, colhendo o depoimento da vítima, apurando os fatos, ouvindo os acusados e testemunhas e por fim, encaminha o inquérito para a Justiça.

Caso Anastácia

A cantora maranhense Anastacia Lia foi vítima de suposta injúria racial na madrugada desta segunda-feira (05), em São Luís. A artista teria pedido uma corrida por aplicativo após concluir uma apresentação musical em uma casa de festas na região do Cohatrac.

Da Avenida Contorno Norte com destino ao bairro Cohatrac V, a jovem de 34 anos teria dividido a corrida com um outro músico, que desceu do veículo em uma quadra próximo à residência dela. Foi então que o motorista alegou que o destino indicado através do GPS seria outro. Ela retrucou, informando que sempre fazia o mesmo percurso e ele afirmou que não seguiria, pedindo que a vítima descesse do carro naquele exato momento.

Nesse intervalo, o motorista teria dito que o carro era dele e ele que decidia quem entrava no veículo. “Vai descer por bem ou por mal”, o motorista teria dito à mulher.

“Foi uma situação muito embaraçosa. Eu me vi sozinha ali de noite, na rua, mas eu sei que eu não ‘tô’ sozinha. E, por mais que seja difícil essa situação, eu vou resistir e não vou deixar passar em branco. Isso não vai ficar impune”, cobrou a artista.

O caso já está sendo acompanhado pela Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, vinculada à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB-MA). Segundo o presidente da CVENBOA, o advogado Erik Moraes, Anastacia foi vítima de injúria racial, constrangimento e coação. O próximo passo será denunciar o caso junto ao Ministério Público e registrar um novo Boletim de Ocorrência, desta vez na Delegacia de Combate aos Crimes Raciais, Agrários e de Intolerância.