Home Maranhão Liderança Guajajara é assassinada em terra indígena Arariboia no interior do MA

Liderança Guajajara é assassinada em terra indígena Arariboia no interior do MA

Liderança Guajajara é assassinada em terra indígena Arariboia no interior do MA

Mais uma liderança foi assassinada na terra indígena Arariboia, no interior do estado. O professor Zezico Guajajara foi encontrado morto com marcas de tiros em uma estrada que dá acesso à aldeia Zutiwa que fica no município de Arame, a 470 quilômetros da capital.

No início do ano, o guajajara teria informado à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) sobre conflitos e ameaças. Zezico Rodrigues Guajajara era um dos líderes da Terra Indígena Araribóia, diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru e professor há 23 anos. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) acompanha o caso, confira a fala do coordenador do CIMI no Maranhão, Gilderlan Rodrigues:

Em nota publicada no Twitter, o governador Flávio Dino (PCdoB) lamentou a morte e garantiu que a Secretária de Segurança já entrou em contato com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF). “Reiteramos que Governo do Estado está à disposição para auxiliar governo federal na segurança a indígenas em suas terras”, afirmou. Um equipe da Polícia Civil foi enviada à região.

O assassinato de Zezico ocorre em meio à escalada de violência contra os indígena no Maranhão nos últimos meses. O líder local Paulino Guajajara, membro grupo “Guardiões da Floresta”, formado para proteger o território contra madeireiros ilegais, também foi assassinado a tiros em primeiro de novembro de 2019. Ele voltava de um dia de caça acompanhado de outra liderança, Laércio Guajajara, que tomou tiros nos braços e nas costas e conseguiu fugir do ataque. Após novas ameaças, Laércio teve de deixar a aldeia e ir morar em um local não divulgado sob orientação do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Governo Federal. Com isso, Zezico se tornou a principal voz de denúncia sobre os ataques de madeireiros ilegais na região —sua aldeia era um dos principais alvos de queimadas criminosas.

De acordo com o colunista do UOL Rubens Valente, a Fundação Nacional do Índio (Funai) já havia sido notificada em janeiro que Zezico teria sido ameaçado por outros indígenas da região. Em carta assinada por ele e outras pessoas, pedia-se o apoio da Funai para que conseguissem um veículo e fossem à Polícia Federal de Imperatriz, no Maranhão, registrar um Boletim de Ocorrência.

Outros dois indígenas da mesma etnia, Raimundo e Firmino Guajajara, também foram assassinatos no dia 7 de dezembro de 2019. O crime ocorreu no município de Jenipapo dos Vieira, Maranhão, às margens da rodovia BR-226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel, e a 506 quilômetros ao sul da capital São Luís. Na ocasião, outras quatro pessoas ficaram feridas. Outros Guajajara chegaram a bloquear a pista em protesto. Com informações do El País e colunista Rubens Valente, do UOL.