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Ex-delegado Bardal presta depoimento por videoconferência na Câmara Federal

Ex-delegado Bardal presta depoimento por videoconferência na Câmara Federal

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado realizou nesta terça-feira (02), na Câmara Federal em Brasília, audiência pública após requerimento de autoria dos deputados federais Aluísio Mendes (PODE-MA) e Paulo Teixeira (PT/SP). Na ocasião, o ex-delegado Tiago Bardal e o delegado licenciado Ney Anderson Gaspar prestaram esclarecimentos sobre investigações da Secretaria de Segurança Pública do estado e de envolvimento de ambos no crime organizado.

Tiago Bardal, que é ex-titular da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), começou a ser ouvido por volta das 16h por videoconferência na sede da Polícia Federal em São Luís. O ex-delegado está preso desde fevereiro do ano passado por suspeita de envolvimento com organizações criminosas. O Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), determinou na segunda-feira (01) que o ex-delegado da Polícia Civil não fosse ouvido em oitiva. Segundo o despacho, presos preventivamente só podem ser ouvidos quando convocados por CPI mas, no dia seguinte, Rodrigo Maia mudou a decisão.

Em depoimento, Tiago Bardal disse que ficou à frente da SEIC de novembro de 2015 até janeiro de 2018, um mês antes de ser preso. Afirmou que durante esse período, efetuou mais de 700 prisões no combate efetivo ao crime organizado quando, segundo ele, houve mais prisões de assaltantes de banco na Polícia Civil. Em 2018, Bardal foi preso em suposto esquema de contrabando. À Câmara Federal, afirmou que sua prisão aconteceu após delação premiada de dois assaltantes de bancos.

Citou investigação de pistolagem e agiotagem em Zé Doca e também a operação Jenga, que desarticulou esquema fraudulento de lavagem de dinheiro após movimentar mais de R$ 200 milhões e envolver contadores, construtoras e revendedores de combustíveis. Falou também sobre o caso Décio Sá, quando em 2017 teria sido pedida reabertura do processo devido novas provas e possíveis coautores. “Na SEIC não escolhemos investigações, quem pratica crime será investigado”, lembrou Bardal em depoimento.

Durante audiência, Tiago Bardal, Ney Anderson Gaspar e o deputado federal e ex-secretário de segurança pública do estado, Aluísio Mendes, propuseram auditoria do Sistema Guardião. Ney Anderson Gaspar disse que está na Polícia Civil há mais de 20 anos e pediu apuração isenta dos fatos e federalização das denúncias. E que, que segundo laudo psiquiátrico tem boa compreensão verbal e está apto a falar mesmo em tratamento de transtorno depressivo, lembrou durante esclarecimentos sobre operação Tentáculos.

Ao tomar a palavra, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) disse que o Maranhão é um estado que tem suas instituições em funcionamento pleno e defendeu o atual secretário de segurança, Jefferson Portela, “homem que tem respeito muito grande, um homem destemido no combate organizado”, disse o parlamentar. Lembrou que Bardal já recorreu em todas as instâncias e vem reincidindo em ações criminosas, o que apontou ser “profunda traição à missão” de delegado. Afirmou que durante os esclarecimentos, Ney Anderson e Tiago Bardal podem ter incorrido no crime de prevaricação, por em suas responsabilidades não terem comunicados outras autoridades.

A audiência terminou por volta das 19h20 desta terça-feira. Na ocasião, estavam também presentes os deputados Zé Carlos, Edilazio Júnior, Roberto Rocha e Wellington do Curso.