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Workshop alerta sobre cuidados na cobertura dos casos de violência

Workshop alerta sobre cuidados na cobertura dos casos de violência

Embora os casos de feminicídio na Região Metropolitana de São Luís tenham reduzido em mais de 50% entre 2017 e 2018, a integração de serviços especializados para o atendimento a mulheres vítimas de violência tem encorajado as denúncias, que ganham cada vez mais espaço nos noticiários.

Os depoimentos das vítimas ganham preponderante importância nas coberturas feitas pela imprensa. Usadas para dar força e veracidade à reportagem, essas declarações exigem alguns cuidados para evitar que a repetição da violência sofrida acabe se tornando um novo trauma para a pessoa que é entrevistada.

Embora tenha a responsabilidade social de alertar, conscientizar e sensibilizar a respeito da gravidade do problema, é fundamental que a imprensa tenha um olhar cuidadoso ao noticiar os casos. Para garantir um alinhamento da cobertura de forma clara e mais humana, a Casa da Mulher Brasileira (CMB) vai realizar no próximo dia 30, a partir das 8h, na Casa da Mulher Brasileira, o I Workshop Comunicação Humanizada: o cuidado da imprensa em casos de violência contra a mulher.

O evento, que acontece em alusão ao dia Nacional da Mulher, comemorado neste dia, vai reunir a imprensa da capital para informar sobre os parâmetros éticos e jurídicos que devem ser observados nas coberturas jornalísticas. “Entendemos que é preciso mostrar, informar, mas sabemos também que é importante zelar pela memória das vítimas e dos familiares, pois a exploração de alguns aspectos não acrescenta nada em termos de informação”, destaca Susan Lucena, diretora da Casa da Mulher Brasileira.

O workshop contará com as presenças de todos os representantes dos serviços oferecidos pela unidade, como a Delegacia Especial da Mulher, as Varas Especializadas, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Secretaria de Estado da Mulher.

Além dos alertas sobre os cuidados com imagens e voz, os profissionais da imprensa terão ainda a oportunidade de saber mais detalhes sobre o funcionamento da CMB, os últimos números sobre os crimes de gênero, preparativos para redigir uma matéria, que especialistas procurar e os cuidados ao entrevistar uma mulher ou menina que viveu uma situação de violência.

De acordo com Susan Lucena, uma das metas do workshop é colocar os profissionais do serviço especializado no acolhimento de vítimas como fontes para a imprensa. “Os profissionais desse serviço poderão auxiliar a encontrar uma possível entrevistada que já esteja fortalecida para falar da violência sofrida”, defende a diretora.