Home Maranhão São Luís Tradição e samba marcam o terceiro dia de programação na Passarela do Samba

Tradição e samba marcam o terceiro dia de programação na Passarela do Samba

Tradição e samba marcam o terceiro dia de programação na Passarela do Samba

A primeira noite de desfiles das Escolas de Samba trouxe brilho, cor e samba no pé na Passarela do Samba Chico Coimbra. Nesta segunda-feira (4), as apresentações continuam com as Escolas Unidos de Fátima, Túnel do Sacavém, Turma do Quinto, Favela do Samba e Marambaia, a campeã de 2018. A programação conta também com apresentação dos grupos de Tambor de Crioula de Ubaldo e de Seu Fausto, a partir das 18h. Desfilam ainda pelo sambódromo os Blocos Organizados Beatos do Samba, Unidos do Porto Grande, Unidos da Vila Isabel, Os Liberais e Turma do Saco; e as Turmas de Samba Ritmistas de São José de Ribamar e Ritmistas da Madre Deus.

 

Uma dessas participantes é Telma do João Nunes, de 69 anos, que desfila pela primeira vez este ano. “Uma amiga me convidou e decidi participar, se Deus permitir estarei aqui por muitos outros anos”, disse. Os Fuzileiros da Fuzarca foi fundado no dia 11 de fevereiro de 1936, sendo o grupo mais antigo ainda em atividade no carnaval maranhense.

A noite de domingo (3) foi marcada pela tradição, além da turma de samba mais antiga também teve o desfile da primeira escola de samba de São Luís, a Turma de Mangueira, e a única alegoria de rua ainda existente na ilha, a Tijupá. As Alegorias de Rua são conhecidas como “Casinha da Roça”, surgidas em 1946 com o mecânico Emilio França que transformou uma oficina de construção de carroceria de caminhão e ônibus em uma Casinha da Roça, um contraste em meio aos corsos luxuosos da época, trazendo simplicidade e um aspe cto rústico que remetia ao estilo de vida da população tradicional do interior do maranhão.

HISTÓRIA

Na década de 90 surgiu na Madre Deus a ‘Tapera’, se desmembrando depois e criando a Tijupá. No inicio, eram chamadas apenas de Casinhas da Roça, e, por influência dos carros alegóricos das escolas de samba, denominaram-nas de Alegorias de Rua. As outras duas foram desaparecendo com o passar dos anos. A Tijupá vem resistindo e todo ano se apresenta na Passarela com Tambor de Crioula em sua casinha. Fora do carnaval o grupo se apresenta sem a alegoria apenas com o tambor de crioula de mesmo nome.

Quando o carnaval ainda acontecia na Praça Deodoro, antes da Passarela ser instalada no Anel Viário, os desfiles aconteciam entre a Rua do Passeio e Rua Rio Branco de domingo a terça-feira. No primeiro dia, os foliões se fantasiavam aleatoriamente para brincar o carnaval de onde surgiram muitos blocos de amigos, que se reuniam para pular a folia momesca, chamados de Blocos de Sujo. Depois resolveram fazer o 1º Concurso de Blocos de Sujo na Deodoro, com os blocos espontâneos, um deles – hoje com o nome de Confraria do Copo – se organizou e padronizou a fantasia, sendo o campeão da época. Isso despertou a disputa entre eles que começaram a se organizar ano a ano para competir. De lá para cá, os blocos foram chamados de “Blocos de Sujo Organizados” e hoje apenas Blocos Organizados, que competem todos os anos na Passarela. Atualmente, existem 12 grupos em São Luís. Destes, dez desfilam este ano. No domingo foi a vez de Os Cobras das Estrelas, Unidos da Vila Embratel II, Pau Brasil, Canto Quente e Dragões da Madre Deus.

Se apresentaram também as Turmas de Samba, que foi de onde se originaram as Escolas de Samba – muitas delas ainda com características originais, como a Escola de Samba ‘Turma do Quinto’ e ‘Turma de Mangueira’ que mantém a nomenclatura inicial, mesmo depois da transformação com a criação de alas e alegorias. Em São Luís existem quatro Turmas, já desfilaram a Vinagreira do Samba e Fuzileiros da Fuzarca. As escolas que competiram no domingo foram Terrestre do Samba, Mocidade Independente da Ilha, Império Serrano, Turma de Mangueira e Flor do Samba.

ENREDOS 

A Escola Terrestre do Samba abriu o desfile das Escolas de Samba, com o enredo “Amazonas em busca do Eldorado”. Nas cores verde, branco e amarelo, a escola que veio da Estiva, zona rural de São Luís, se apresentou com muita alegria e com os componentes entoando o samba enredo num bonito coro, lavados pela chuva que caiu neste domingo. Em seguida veio a Mocidade Independente da Ilha, da Cohab, nas cores azul e branco. A Escola homenageou o reggae maranhense com o tema “Da Jamaica ao Maranhão, as pedras vão rolar na Mocidade”.

A Império Serrano trouxe para avenida o enredo “Romarias do maranhão, um império de fé”. Já a Turma de Mangueira, nas cores verde e rosa, do bairro João Paulo, relembrou os antigos carnavais da Ilha com o enredo “Pelas mentes de um fofão: uma viagem aos antigos carnavais”. A última a se apresentar foi a Flor do Samba, já nas primeiras horas desta segunda-feira. A Escola do Desterro, nas cores azul, vermelho e branco, trouxe o tema “Viva essa energia” e energizou o sambódromo com suas alas e carros alegóricos.

CARNAVAL NOS BAIRROS

Além dos circuitos oficiais compostos pela Passarela do Samba, Madre Deus, Ceprama e Avenida Beira-Mar, realizado pela Prefeitura de São Luís e Governo do Maranhão, aproximadamente cem iniciativas independentes são apoiadas nos bairros da capital, como o batizado da Alegoria de Rua Tijupá, que aconteceu neste domingo na Galeria Trapiche, equipamento municipal de cultura, e teve como padrinho deste ano o secretário municipal de cultura, Marlon Botão.

“É uma alegria receber esse convite para ser padrinho no batizado da alegoria, mostra que o trabalho da gestão em prol da nossa cultura popular está sendo reconhecido pelos próprios grupos e pela população. Este ano estamos apoiando muitos blocos e bailes em ruas, hospitais, ONGs e eventos particulares, sendo com atrações carnavalescas, visita da Corte Momesca, banheiros químicos ou outras solicitações que chegam diariamente para a gente e tentamos ajudar da melhor forma. Queremos que a cultura se descentralize e chegue a todos os pontos de São Luís, em todas as épocas do ano”, ressaltou o secretário.

PROGRAMAÇÃO

SEGUNDAFEIRA (4)

A partir das 18 horas, apresentações de tambor de crioula na Tenda do Tambor: TC de Ubaldo e TC de Seu Fausto

Desfile dos Blocos Organizados

18h30 às 18h45 – Beatos do Samba
18h50 às 19h05 – Unidos do Porto Grande
19h10 às 19h25 – Unidos da Vila Isabel
19h30 às 19h45 – Os Liberais
19h50 às 20h05 – Turma do Saco

Desfile das Turmas de Samba

20h30 às 20h50 – Ritmistas de São José de Ribamar
20h55 às 21h15 – Ritmistas da Madre Deus

Desfile das Escolas de Samba

22h00 às 23h00 – Unidos de Fátima
23h10 às 00h10 – Túnel do Sacavém
00h20 às 01h20 – Turma do Quinto
01h30 às 02h30 – Favela do Samba
02h40 às 03h40 – Marambaia

TERÇAFEIRA (5)

A partir das 18 horas, apresentações de tambor de crioula na Tenda do Tambor: TC Pungar da Ilha e TC Tijupá

Desfile dos Blocos Afros

19h00 às 19h20 – Abiyêyê Maylô
19h25 às 19h45 – Juremê
19h50 às 20h10 – GDAM
20h15 às 20h35 – Didara
20h40 às 21h00 – Omnirá
21h05 às 21h25 – Officina Affro
21h30 às 21h40 – Abibimã
21h45 às 22h05 – Netos de Nanã
22h30 – ENCERRAMENTO com o Baile Popular do Blocão do Bicho

QUARTAFEIRA (6)

14h – Apuração dos Concursos realizados na Passarela do Samba.

Local: Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande