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Coordenador do CIMI fala sobre despejo de famílias na Comunidade Engenho

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Nesta última quarta-feira (19), cerca de 100 famílias foram despejadas na Comunidade Engenho, em São José de Ribamar, após reintegração de posse concedida pela Justiça Estadual.

Durante a entrevista, Gilderlan Rodrigues, coordenador do Conselho Indigenista Missionário, lembrou das duas últimas determinações concedidas pela Justiça. O coordenador ressaltou que as datas foram em períodos de recesso, dificultando assim qualquer tipo de manifestação da comunidade. “As duas reintegrações de posse foram em datas bastante difíceis para qualquer manifestação que pudesse ser feita. Em fevereiro, foi véspera de carnaval. A gente sabe que em véspera de carnaval tudo ‘sai’ de recesso, então mesmo assim o desembargador que estava de plantão […] percebeu a movimentação, inclusive, sofreu ameaças e ele deixa isso bem claro na decisão dele. Então ele acabou suspendendo aquela reintegração naquele período. Essa (quarta, 19) também veio da mesma forma, em uma data muito próxima ao recesso. Nós tentamos todos os recursos possíveis, mas nenhum deles foi aceito pelo próprio juiz e nem pelo próprio TJ, porque tinha já de fato essa determinação de que esse processo não sofreria mais intervenções”, disse o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

“A própria Defensoria de Direitos Humanos ficou impedida, de fato, de fazer alguma manifestação em relação a isso[…] essa situação foi muito delicada e difícil porque a gente não conseguia de maneira nenhuma suspender” completou.

De acordo com Gilderlan Rodrigues, dias antes a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) esteve na comunidade fazendo a qualificação, ou seja, o processo de regularização fundiária da área e a identificação de delimitação do território também já havia sido pedida. “Já era de conhecimento da FUNAI que aquele território é um território indígena” afirmou o coordenador.

O entrevistado também disse que “as famílias estão totalmente arrasadas, porque muitas delas têm dívidas com o banco, com o comércio local. Não sabem como fazer porque eles trabalhavam ali, era o seu meio de vida e viram tudo destruído e agora ficam sem saber o que fazer numa situação tão difícil. Chegando final de ano, Natal e Ano Novo o povo está sem perspectiva”.

O coordenador do CIMI ainda disse que existem outros territórios indígenas no Maranhão que estão em um “contexto de conflito”. Sofrendo com o impacto do agronegócio e da invasão madeireira.

Confira a entrevista completa no vídeo!