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Autoridades falam sobre violência no campo no Maranhão

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No programa Resenha desta segunda-feira (28), foram convidadas duas autoridades no que compete aos conflitos do campo em municípios maranhenses: Ronilson Costa, coordenador geral da Pastoral da Terra no Maranhão, e Rosiana Queiroz, membro da Sociedade de Direitos Humanos da OAB.

Segundo Ronilson, o aumento dos conflitos no campo no Maranhão está associado também ao cenário nacional. “A conjuntura a nível nacional ela propiciou o aumento dos conflitos, não apenas no Maranhão, mas também em outros estados”, diz ele.

Segundo ele, isso se dá devido a uma opção política do país, de ser “o quintal do mundo”, o grande produtor de commodities, que requer uso de grandes extensões de áreas, grandes extrações de minério.

“Isso mexe com populações que tradicionalmente ocupam determinados territórios e, infelizmente, essa opção tem um preço. Favorece o capital financeiro, mas mata vidas humanas no campo, ela destrói o meio ambiente. E os efeitos são nitidamente visíveis”, afirma Ronilson.

Os casos de violência no campo serão tema do “Seminário Vidas Ameaçadas – luta e resistência no campo e na cidade”, que aconteceria nesta terça-feira (29), mas foi adiado por causa da suspensão das atividades na UFMA, onde seria realizado. A suspensão aconteceu devido ao desabastecimento de combustível na cidade e, segundo a organização do evento, a questão compromete toda a logística de deslocamento do público alvo do seminário, que vai além dos universitários. Deve ser definida uma nova data para o encontro.

Sobre o seminário, Rosiana Queiroz afirma que será abordado o cenário atual relativo aos conflitos no campo, não apenas no Maranhão, mas em todo o Brasil.

“A gente chega no seminário com um cenário de muitos conflitos. Em matéria de assassinatos, teve uma redução, mas em matéria de conflitos e de tensões, estes permanecem e aumentaram. Chegamos nesse cenário também nacionalmente, com muitas pessoas sendo assassinadas em outros estados, como é o caso de Rondônia, do Pará, do Mato Grosso”, aponta Rosiana.

Ela enfatiza também os casos de criminalizações, onde pessoas são “caladas” através de processos criminais.

“É um momento extremamente complicado e por isso mesmo a gente precisa se afirmar e se articular enquanto organizações da sociedade civil que defendem a vida das pessoas e que lutam pelos direitos humanos no estado do Maranhão” – Rosiana Queiroz