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Helena Galiza fala sobre potencial dos centros históricos

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Questões como preservação do Centro Histórico e aproveitamento do potencial de moradia dessa área culturalmente rica em São Luís permearam as diversas discussões levantadas pelo seminário “Habitar para Preservar o Centro Histórico de São Luís”, realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UEMA no início deste mês.

O programa Resenha então convidou a arquiteta, doutora em Urbanismo e organizadora do seminário, Helena Galiza, para falar nesta quarta-feira (23) sobre o assunto.

Maranhense, Helena viveu em São Luís até os 13 anos, quando mudou-se para o Rio de Janeiro. Contudo, mesmo afastada de terras maranhenses, ela mantém um vínculo especial com a capital maranhense e continua vindo ocasionalmente, também devido à pesquisa que realiza sobre o aproveitamento de centros históricos no âmbito da moradia.

“Sempre tive um vínculo muito grande com São Luís e inclusive, depois de adulta, retornei para morar aqui por um período. E sempre [estive] muito ligada ao Centro Histórico, que é o cenário da minha história, em transitar por ali. Amigos meus brincam que eu sou ‘maranhoca’, porque eu tenho esse vínculo com São Luís”, diz ela.

Ela conta que a ideia do seminário aconteceu quando veio para São Luís no carnaval, em fevereiro. No período, ela escreveu uma carta ao governador do Maranhão, Flávio Dino, onde narrou sobre sua admiração pelo governador e sua vontade de conhecê-lo e trocar conhecimentos com ele. Ela também ofereceu ajuda para a questão da habitação no Centro da capital maranhense.

O governador então recebeu Helena, e durante a reunião, foi concebida a ideia do seminário.

Potencial habitacional de centros 

Sobre o tema do seminário, Helena diz que centro é o local da diversidade e um lugar onde tudo acontece: “Como outros centros pelo o mundo, o de São Luís sofreu com o tempo um esvaziamento, aonde a gente tem uma situação desfavorável e sem sentido de áreas com imóveis não habitados, enquanto existe um número alto de pessoas sem moradia“.

Outro ponto levantado pela professora, é com relação a vitalidade do centros: “Vida, preencher com vida o centro porque ele é também um bairro, e um bairro com enormes potencialidades culturais, históricas e materiais e que precisam ser habitados e ocupados em prol a preservação da região mais antiga de São Luís“.

Durante a entrevista ela complementa esta ideia, dizendo que, por isso, é preciso implementar políticas públicas para um melhor aproveitamento do potencial habitacional dos centros históricos.

“Há 40 anos que o governo federal vem tentando lançar um programa para recuperar esse estoque imobiliário com potencial habitacional que existe nos centros históricos e não se tem um programa que resolva isso. O Brasil tem um déficit habitacional de cerca de 6 a 7 milhões e tem cerca de 6 a 7 milhões de imóveis vagos. Não necessariamente nas áreas centrais, mas é simples. Você anda pelo Centro de São Luís, e observa os imóveis que estão abandonados, arruinados, lacrados. Um casarão daqueles dá para fazer de cinco a sete apartamentos. Se pensar que se poderia ser produzido uma grande quantidade de unidades habitacionais nessas áreas centrais, e isso serve para o Brasil inteiro, é uma coisa totalmente incoerente não se ter uma política pública relativa ao assunto”, diz ela.