Home Notícias Maranhense José Louzeiro é tema de curta-metragem

Maranhense José Louzeiro é tema de curta-metragem

Maranhense José Louzeiro é tema de curta-metragem

Roteirista de obras consideradas clássicas do cinema nacional, o escritor e jornalista maranhense José Louzeiro, falecido em dezembro do ano passado, será homenageado no curta-metragem “José Louzeiro – Depois da Luta”, dirigido pela cineasta Maria Thereza Soares, que será lançado nesta sexta-feira (18) em sessão para convidados no Cine Praia Grande e, também, será exibido no sábado, às 18h, no Cine Praia Grande em sessão aberta ao público. A sessão de sábado será seguida de debate com a diretora do filme e com a jornalista Bruna Castelo Branco, que assina a pesquisa e argumento da obra. Além dessas duas sessões, o filme também será exibido no 41º Festival Guarnicê de Cinema, que será realizado em junho.

De autoria do maranhense, foram adaptadas para o cinema obras como “Infância dos Mortos”, que foi para às telas com o título “Pixote – a lei do mais fraco” e “Lúcio Flávio – o passageiro da agonia”, cinebiografia de um anti-herói brasileiro, ambos dirigidos por Hector Babenco. Além deles, José Louzeiro colaborou no roteiro de obras como “Quem Matou Pixote? ”, dirigido pelo cineasta José Joffily e “O Homem da Capa Preta” em parceria com o cineasta Sérgio Rezende, entre outros. A sua última contribuição para o cinema foi como colaborador do documentário “Lembrar para não esquecer”, de Milton Alencar Júnior, sobre a chacina de Vigário Geral.

Segundo a cineasta Maria Thereza Soares a opção por explorar no documentário a atuação de José Louzeiro como roteirista foi para valorizar essa faceta do maranhense. “Nós temos um vasto material de gravação, mas José Louzeiro já é conhecido como jornalista, como escritor e a sua faceta como roteirista traz um legado importantíssimo para o cinema nacional e ficava relegada a segundo plano, portanto foi o enfoque que quisemos ressaltar no documentário”, destaca.

Com duração de 15 minutos, a obra é voltada para a contribuição gigante de José Louzeiro para o cinema brasileiro.

Baseados em obras de Louzeiro, os filmes tiveram grande repercussão nacional e internacional.

 

              Trajetória

Falecido no dia 29 de dezembro de 2017, aos 85 anos de idade, o maranhense José Louzeiro tem uma trajetória de vida e profissional marcante. De menino pobre, morador do bairro Camboa, em São Luís, conseguiu imprimir seu nome no jornalismo, na literatura e no cinema nacional. Louzeiro passou pelas redações de O Imparcial e O Combate até transferir-se para o Rio de Janeiro, em 1954, quando atuou em diversos jornais e revistas.

Autor de mais de 40 livros, José Louzeiro colaborou esporadicamente com artigos em jornais até os 84 anos e tinha como projetos escrever sua biografia e transformar em filme o romance-reportagem “Aracelli, meu amor”, sobre o assassinato da menina Aracelli Crespo, violentada e morta aos 8 anos de idade, em Vitória (ES), no dia 18 de maio de 1973. Hoje a data da morte da garota Aracelli é lembrada como o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, graças também ao trabalho incansável de Louzeiro em denunciar o crime.

A data da morte de Aracelli Crespo é emblemática por ser um símbolo de luta do escritor contra as injustiças sociais no Brasil. “Nós escolhemos a data do dia 18 de maio para fazer a sessão de lançamento por causa desse episódio lamentável e também uma forma de dizer que a luta de José Louzeiro não pode ser em vão”, destaca Maria Thereza Soares.

 

Louzeiro é autor da obra ‘Aracelli, meu amor’, sobre a menina Aracelli Crespo, violentada e morta aos 8 anos de idade, em 1973. A data da morte da criança é lembrada como o  Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

 

 

Veja trailer do curta-metragem

 

 

Gravações

O filme começou a ser produzido no ano passado, as gravações foram feitas no Rio de Janeiro, cidade na qual José Louzeiro era radicado desde a década de 1950, e também em São Luís, além de entrevistas com o escritor, a obra contou com depoimentos de amigos e parceiros de trabalhos. No Rio de Janeiro, as filmagens duraram cerca de 10 dias e foram rodadas na casa do escritor e na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Cineastas como José Joffily, Sérgio Rezende e Jorge Duran foram alguns que deram depoimentos sobre as obras. Em São Luís, o filme teve depoimento de escritores e amigos e, entre as locações, a sede da Academia Maranhense de Letras, entidade da qual José Louzeiro era membro desde a década de 1980.

De acordo com Bruna Castelo Branco que assina a pesquisa e o argumento do filme, a ideia inicial era trazê-lo a São Luís, mas, essa proposta foi alterada no decorrer do projeto.   “Queríamos muito fazer um reencontro de Louzeiro com a sua cidade natal, terra que sempre foi muito presente em suas memórias. Porém, como ele já tinha 84 anos quando fomos gravar, a saúde debilitada, achamos melhor, pelo conforto dele mesmo, entrevistá-lo somente no Rio de Janeiro”, explica.

Aprovado no II Edital do Audiovisual do Maranhão, concebido por meio de uma parceria entre Governo do Estado e Agência Nacional de Cinema (Ancine), o filme tem apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio), Restaurante Thai – Cozinha Contemporânea e TV UFMA.

 

Cineasta Sérgio Rezende, contemporâneo de Louzeiro. Foto: Paula Monte.