Home Notícias Educação UFMA é condenada a mudar fiscalização de faltas de professores nas aulas

UFMA é condenada a mudar fiscalização de faltas de professores nas aulas

A partir de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou à Universidade Federal do Maranhão (UFMA) que promova, com urgência, mudanças no controle da verificação do cumprimento das horas-aula pelos docentes da instituição, verifique faltas e preveja reposição de aulas. Segundo entendimento do MPF, a universidade foi omissa ao revelar falha no controle do cumprimento de carga horária dos professores, o que permitiria “a inassiduidade sem qualquer apuração ou reposição das aulas. Esse fato representa um enorme prejuízo ao conteúdo programático e, consequentemente, frustra o direito à educação de centenas de alunos”, nas palavras do órgão.

As queixas em relação às ausências dos professores já são antigas por parte dos alunos da instituição. Em nota, a UFMA afirmou que a responsabilidade do controle de cumprimento das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão dos docentes é responsabilidade do Tribunal de Contas da União (TCU). Na íntegra, a nota diz que “A Universidade Federal do Maranhão informa que o Acórdão nº 2729/2017, expedido em 19/02/2018, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que trata do controle de cumprimento das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão dos docentes, é dirigido a todas às Instituições Federais de Ensino Superior e aos respectivos hospitais universitários, portanto, não somente para a UFMA”.

O MPF decidiu que a UFMA deverá implantar, com urgência, um sistema eficiente de controle do cumprimento das horas-aula pelos docentes, que deve registrar em endereço eletrônico, de forma pública, a data, horário e a sala nos quais a aula foi ministrada, bem como a presença/ausência de alunos e professores. Fica imposto às chefias de departamento o registro diário, a fim de comprovar o cumprimento do ano letivo mínimo, previsto no art. 47, caput, da Lei n. 9394/96. Em caso de descumprimento das imposições, a multa diária de R$ 10.000,00 foi estipulada à Universidade.

Início das investigações

A apuração começou no MPF em razão de reclamações de estudantes dos cursos de Medicina e Direito, que informaram, dentre outros problemas, serem reiteradas as faltas injustificadas de alguns docentes nos horários designados para as aulas, o que comprometeria o cumprimento da carga horária e do conteúdo ministrado.

Diante da reclamação, foi instaurado inquérito civil público para apurar as ausências de professores. A investigação colheu informações da UFMA e da Controladoria Geral da União, sobre as faltas. A CGU informou ao MPF que realizou auditoria, compareceu às salas de aulas e verificou as situações de faltas injustificadas, inclusive mediante entrevistas com alunos dos cursos.

Por sua vez, a UFMA disse que todo o controle era realizado por meio de um sistema informatizado, o SIGAA (Sistema Integrado de Atividades Acadêmicas), e que os professores estariam dispensados de registro diário de ponto, por força de decreto federal.

Porém, a CGU informou ao MPF que o controle feito por meio do SIGAA era ineficiente para o registro.

A partir disso, foram requisitadas comprovações documentais à UFMA em relação ao cumprimento da carga horária dos professores de diversos cursos no período de um ano, mas a instituição não apresentou a documentação.

Segundo o MPF, a omissão da instituição, porém, revela falha no controle do cumprimento de carga horária dos professores, o que permite a inassiduidade sem qualquer apuração ou reposição das aulas. Esse fato representa um enorme prejuízo ao conteúdo programático e, consequentemente, frustra o direito à educação de centenas de alunos.