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América avança em áreas naturais protegidas, mas deve reforçar suas leis

América avança em áreas naturais protegidas, mas deve reforçar suas leis

A América, uma das regiões com maior biodiversidade do mundo, deu grandes passos na proteção de áreas naturais, mas enfrenta desafios no âmbito legislativo como a mudança climática, a mineração ilegal e a extinção de espécies.

A região está na vanguarda da proteção terrestre (22,34%) e marinha (14%), ressaltam organizações ambientais por causa do Dia da Terra, comemorado em 22 de abril.

A América Latina tem 5 milhões de km² de áreas protegidas, segundo o relatório “O Planeta Protegido 2016” do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), e a metade dessa extensão é ostentada pelo Brasil, com 2,47 milhões de km², dos quais 24,5% correspondem aos mares.

Os EUA contam com a reserva marinha mais extensa do mundo, depois que em 2016 foi ampliado o Monumento Marinho Nacional de Papahanaumokuakea, no Havaí, com 1,5 milhão de km².

“O panorama na região é positivo pelo número de áreas protegidas terrestres, como o Amazonas, e em zonas marítimas foi feita uma aposta muito grande”, explicou à Agência Efe Aurelio Ramos, gerente geral para a região da ONG The Nature Conservancy (TNC).

Perante o bom panorama, Ramos assegurou que é importante integrar “as ecorregiões de água doce”, para que sejam parte de áreas subnacionais ou locais e “salvaguardar estes lugares para o desenvolvimento ao gerar uma visão de bacia”.

O Chile, líder em conservação e proteção com a maior rede de parques naturais da América do Sul (45 mil km²), aumentou a extensão de várias áreas marítimas da Ilha de Páscoa, Juan Fernández, Desventuradas e Canales e Fiordos, que se unem a uma rede que já alcança mais de 1,3 milhão de km².

“É impressionante porque existem esquemas público-privados nos quais as comunidades destas zonas se integram, tal é o caso das populações pesqueiras, devido a sua forte institucionalidade e dotação de recursos”, destacou Ramos.

A América, considerou este especialista, enfrenta problemas de tipo político e econômico, por isso que “é necessário gerar pontes, regras claras e um trabalho de sustentabilidade” perante a mineração ilegal, a extinção de espécies e a mudança climática.

“É um desafio também o tema da representatividade, a inclusão das comunidades que vivem nestas zonas para um desenvolvimento sustentável, o tema do valor da terra, o gado e a agricultura”, acrescentou.

Com estes objetivos, o México ampliou em 650 mil km² sua área natural protegida, um passo que o aproxima de sua meta de 17% do território nacional resguardado até 2020, com a qual supera a meta de 10% nas zonas marinhas.

Na Colômbia, o Governo propôs proteger 260 mil km² e alcançou 285 mil km² em 2017 com a declaração do Santuário de Fauna e Flora (SFF) de Malpelo, que faz parte de um território de 45 mil km² no Oceano Pacífico, e espera chegar aos 300 mil km² em 2018.

A Argentina possui 437 áreas que cobrem 11,9% da superfície terrestre e 4,9% da superfície marinha com o Parque Nacional Los Glaciares em Santa Cruz, o Parque nacional Iguazú em Misiones e La Quebrada de Humahuaca em Jujuy.

O Uruguai, com 12 áreas, tem 7% que superam as áreas terrestres e marinha, alcançando 23 mil km².

Na América Central, a Guatemala conta com 334 áreas protegidas; a Nicarágua, com 71; Honduras; com 91; e El Salvador; com 117, entre elas o recife Los Cóbanos, a floresta de Chaguantique e Barra de Santiago.

A Costa Rica, líder em matéria ambiental na região, tem 920 km² de áreas marinhas protegidas, entre elas a Península de Nicoya (Pacífico Norte), e outras que são patrimônio nacional com o fim de resguardar a nidificação de tartarugas, formações coralinas, a passagem de baleias, aves e corredores biológicos.

O Panamá conta com o Parque Nacional Coiba, um de seus principais atrativos turísticos e com uma extensão de mais de 2,7 mil km², dos quais 2,16 mil são marinhos.

Ramos afirmou que apesar de o ecoturismo trazer recursos às populações e ser uma fonte de educação, pode “gerar impactos negativos se não for definido um plano de conservação”.

O Equador celebrou em março os 20 anos da Reserva Marinha de Galápagos, de 138 mil km², que conserva uma grande diversidade marinha, além de recursos pesqueiros e turísticos.

A Venezuela possui 43 Parques Nacionais e 36 Monumentos Naturais que cobrem uma área de mais de 150 mil km², 16% do território, como Canaima e a Colina el Copey.

O Peru criou o Parque Nacional Yaguas bem como uma floresta protetora de conservação em Cuzco, como parte das 76 áreas naturais protegidas, que compreendem 15,14% do território nacional.

Ramos concluiu que não se pode deixar de lado quais são os mapas de risco atuais para “gerar uma sombrinha de conservação de espécies e detectar os problemas em áreas de desenvolvimento”.

Agência EFE