Bardal depõe sobre suposto desaparecimento de carga

Por volta das 10h desta quarta-feira (28) o delegado Tiago Bardal chegou na Superintendência de Combate à Corrupção (Seccor), para prestar um novo depoimento. Ele está sendo investigado em outro esquema de contrabando devido a uma carga apreendida em agosto do ano passado, que não teve destino revelado, sendo interceptada por ele.

De acordo com informações da polícia, o proprietário chegou a ser extorquido por Bardal, que teria cobrado R$ 100 mil para um ‘acordo’. Como esse acordo não teria sido cumprido, as caixas de cigarro acabaram desaparecendo da sede da Seic.

O delegado foi chamado para depor ontem (27), mas ele informou que somente compareceria à Seccor quando o seu advogado fosse intimado sobre essa ocorrência. De acordo com a Adepol, representantes da categoria estavam fazendo uma visita ao delegado Bardal quando investigadores chegaram ao local com um documento relatando que Bardal deveria prestar depoimento na Seccor, mas que não era obrigado.

Tiago Bardal está preso desde o dia 2 de março e teve o habeas corpus negado pela Justiça do Maranhão. Bardal foi preso na Operação Combate à Corrupção, que resultou no estouro de dois depósitos clandestinos com mercadorias contrabandeadas na zona rural da capital. Além do delegado, um coronel e policias militares e o ex-vice-prefeito de São Mateus (MA) foram presos por suspeita de integrarem a quadrilha de contrabando. Nessa operação, 18 mandados de prisão foram expedidos.

Nota de repúdio

Sobre o caso, a Associação de Delegados de Polícia do Maranhão (Adepol-MA) emitiu ontem (27) uma nota de repúdio, apontando que por opção pessoal de Bardal, a Assessoria Jurídica da Adepol não patrocina a sua defesa no processo criminal que tramita na Justiça Federal e nem em outros procedimentos policiais que tenham sido instaurados para apurar eventual prática de crimes.

Confira trecho da nota:

“Esclarecemos que foi aberto Procedimento Administrativo Disciplinar contra o mesmo servidor/associado e ontem fomos receber a Procuração do Dr. Tiago Matos Bardal, outorgando poderes para que a Assessoria Jurídica da ADEPOL possa dar a devida assistência nos autos do Procedimento Disciplinar (PAD).

Durante a breve estada da ADEPOL na Unidade Prisional da DECOP chegou uma equipe composta de três investigadores e comunicaram que estavam com um documento para que o Dr. Tiago Matos Bardal prestasse depoimento naquele exato momento na SECCOR, “mas que ele não seria obrigado a ir”. O interessado perguntou se o seu advogado particular constituído havia sido notificado para o acompanhar, tendo os policiais respondido que não. Considerando que o investigado nem o seu advogado particular haviam sido regularmente intimados, o Dr. Tiago Matos Bardal respondeu que comparecerá quando seu Advogado também se fizer presente e forneceu o número do celular do mesmo. (…)

Por derradeiro, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão apoia toda e qualquer apuração de possíveis desvios de conduta e reitera que aguardará o desenrolar das investigações que se iniciaram, com observância dos preceitos legais, acreditando que ao final surja a verdade.”

 

 

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