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Trabalhadores dos Correios discutem greve em Assembleia

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Empresas de correios e Telégrafos e Similares do Estado do Maranhão (Sintectma), cerca de 40% dos trabalhadores dos Correios aderiram à greve no estado até o momento. Nesta segunda-feira (12), às 19h, será realizada uma Assembleia com a categoria, para discutir o assunto.

Além das pautas nacionais, os trabalhadores maranhenses também estão reivindicando melhores condições de trabalho. O Sindicato alega que, em diversas agências no interior do estado, os vigilantes não possuem armas nem coletes e os locais passam também por problemas de infraestrutura.

Outro ponto levantado pela categoria é que existem 20 mil vagas ociosas, ou seja, há a necessidade da realização de um novo concurso público.

Em nota, os Correios apontaram que a empresa toma a mobilização como injustificada e ilegal. Segundo a empresa, 96% do efetivo está operando no Maranhão. Confira abaixo a nota na íntegra:

Os Correios vêm a público prestar esclarecimentos à sociedade sobre a paralisação de empregados que está ocorrendo nesta segunda-feira (12). Mesmo reconhecendo que a greve é um direito do trabalhador, a empresa entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria.

Com o objetivo de ganhar a opinião pública, as representações dos trabalhadores divulgaram uma extensa pauta de reivindicações que nada têm a ver com o verdadeiro motivo da paralisação de hoje: a mudança na forma de custeio do plano de saúde da categoria.

O movimento está relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa, que atualmente contempla, além dos empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares. O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho, que apresentou proposta aceita pelos Correios mas recusada pelas representações dos trabalhadores. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento no TST.

Para se ter uma ideia, hoje os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou seja, uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano.

No momento, a empresa aguarda uma decisão por parte daquele tribunal. A audiência está marcada para a tarde de hoje.

Crise financeira – Conforme amplamente divulgado pelos meios de comunicação, os Correios enfrentam uma grave crise financeira, fruto da queda expressiva do volume de correspondências, objeto de monopólio, e da falta de investimentos em novos negócios, nos últimos anos, que garantissem não só a competitividade, mas também a sustentabilidade da empresa. Estes, dentre outros fatores, vêm repercutindo nas contas dos Correios e, neste momento, um movimento dessa natureza serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada da estatal e, consequentemente, de seus empregados.

Serviço – A paralisação parcial, iniciada nesta segunda-feira (12) por alguns sindicatos da categoria, ainda não tem reflexos nos serviços de atendimento dos Correios. Até o momento, 08 agências estão fechadas, o que corresponde a 3% do total da rede de atendimento no Estado. Todos os serviços estão disponíveis.

Neste fim de semana (10 e 11), os Correios já colocaram em prática seu Plano de Continuidade de Negócios, de forma preventiva, para minimizar os impactos à população. Até o momento, a paralisação está concentrada na área de distribuição — levantamento parcial realizado na manhã de hoje mostra que 87,15% do efetivo total dos Correios no Brasil está presente e trabalhando — o que corresponde a 92.212 empregados, número apurado por meio de sistema eletrônico de presença. No Maranhão, 96% do efetivo estão presentes e trabalhando – o que corresponde a 1.583 empregados.

 

Paralisação nacional  

A greve dos funcionários dos Correios está prevista para começar às 22h desta segunda-feira (12) e deve seguir por tempo indeterminado.

Nacionalmente, a principal reivindicação da categoria é a a seguridade do benefício do plano de saúde, que está em julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A alteração defendida pela gestão da estatal retiraria os pais, filhos e cônjuges do plano.

Segundo a Fentect, a mobilização nacional da categoria foi aprovada em assembleias dos sindicatos. Entre outras reivindicações, os trabalhadores são contra as alterações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários; a terceirização na área de tratamento; a privatização da estatal; a suspensão das férias dos trabalhadores; a extinção do diferencial de mercado e a redução do salário da área.