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Mulher militar: conquistas, quebra de paradigmas e atuação

Mulher militar: conquistas, quebra de paradigmas e atuação

Antes, as mulheres tinham papéis específicos na sociedade: nasciam para serem filhas exemplares, esposas, donas de casa e mães dedicadas. Passados alguns séculos, a mulher passou a buscar a igualdade de gêneros, passou ainda a lutar pela conquista do seu espaço em todas as áreas.

A Coronel Maria Augusta de Andrade Ribeiro, única coronel feminina da Polícia Militar do Maranhão é um exemplo de mulher moderna, aquela que é filha, mãe, dona de casa, e por opção, militar. Hoje, ela exerce um cargo que antes era somente ocupado por homens. Aos 17 anos ela decidiu servir a polícia.

Augusta ingressando na carreira militar

Foi no ano de 1955, que no Brasil, ocorreu a primeira inserção das mulheres nas atividades policiais, tornando-se, um paradigma de modernização para as corporações policiais do país. Ainda assim, a sociedade militar era dividida, homens de um lado e mulheres em outro. Com o passar do tempo, houve a unificação dos quadros, o Maranhão foi um dos últimos estados a passar por esse agrupamento, em 2006.

De acordo com a Coronel Augusta, foi a partir dessa unificação que a mulher começou a concorrer a promoções igual as dos homens, passando de aspirante, tenente, major, quando, enfim, o sexo feminino passou a alcançar o posto de coronel. “Houve uma conquista da mulher na área militar, a primeira turma do gênero foi em 1982 e já trabalhávamos de forma igual, por isso lutamos para a unificação dos quadros e agora sim podemos concorrer com os homens, de igual para igual”, explicou.

Mãe de Thárcio Augusto, de 13 anos, a Coronel que também é dona de casa, trabalha com Apoio e proteção à mulher vítima de violência, através da Patrulha Maria da Penha, que tem o objetivo de acompanhar a mulher que sofreu algum tipo de violência. Após denúncia registrada em delegacia especializada, a patrulha passa a acompanhar a vítima e garantir os direitos delas. Para Augusta, esse é um tipo de trabalho que permite apoio à outras mulheres “Eu não queria atender esses tipos de ocorrências, eu queria que todos mulheres vivessem bem e fossem respeitadas pelo seu lar, pela sua família e pelo seu marido, quando isso não acontece é bom poder fazer alguma coisa”, destacou.

Ações da Patrulha Maria da Penha

A grande conquista da mulher atual é o poder de escolha. Esse direito é resultado de uma consciência cada vez mais coletiva de que os papéis sociais podem ser exercidos e superados. Assim como da Coronel, que explicou o quanto é desafiador acompanhar a carreira, educação do filho e a organização da casa, além de outras áreas. Para ela, o segredo está na dedicação, isso sim supera todas as dificuldades. “É sempre um desafio,  e o principal é cuidar do meu filho, passo o dia fora. As mulheres que têm filhos vivem nessa luta diária. Hoje, a maioria das mulheres trabalham fora e tentam conciliar tudo. Somos guerreiras, trabalhamos o dia todo fora e em casa conseguimos dar o nosso melhor ”.

Coronel Augusta e o filho Tharcio

A participação de mulheres no efetivo das polícias civil e militar no Brasil é um indicador importante para avaliar a representatividade da mulher e também está associada à política nacional contra a violência à mulher. A lei prevê que a vítima de violência seja atendida, preferencialmente, por policiais do sexo feminino. Mas ainda é pequena a participação feminina nas duas corporações.

As conquistas do gênero feminino tiveram avanços, mas ainda há uma desigualdade. “Buscamos por igualdade, desde o mercado de trabalho. Não queremos ser iguais aos homens, apenas ter nossos direitos garantidos, trabalhar e receber igual, ter nossos direitos, sermos valorizadas e respeitas”, finaliza.

Dia Internacional da Mulher

O 8 de março nasceu há mais de 150 anos como um dia de luta e resistência das mulheres, por igualdade, respeito e liberdade.

Em 1857, centenas de operárias foram mortas por policiais queimadas em um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, nos Estados Unidos. À época, elas reivindicavam melhores condições de trabalho e direito à licença-maternidade.  Em homenagem às vítimas, que protestavam por mais direitos, em 1911 foi instituído o Dia Internacional da Mulher.