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Documento revela detalhes sobre esquema de organização criminosa do MA

Documento revela detalhes sobre esquema de organização criminosa do MA

Eduardo Santos

Cabo do 21º Batalhão é uma das testemunhas que denunciou o esquema da maior organização criminosa do Maranhão nos últimos 20 anos, revelado na Operação ‘Combate à Corrupção’. Os relatos da testemunha estão em documento assinado pelo juiz Ronaldo Maciel, que revela detalhes do esquema criminoso que envolve lideranças da polícia e até deputados, cuja identidade ainda não foram reveladas.  O ofício circula em redes de todo o estado desde o início da manhã desta terça-feira (6).

O cabo disse em depoimento que em dezembro de 2017 ele abordou um caminhão carregado de material contrabandeado e que os ocupantes teriam ligado para o Coronel Elias Francalanci, ex-subchefe da Casa Militar, preso no último sábado (3). Durante a ligação, o Coronel teria ordenado que o caminhão fosse liberado. O mesmo veículo foi apreendido durante operação realizada no dia 22 de fevereiro.

Em outro trecho do documento, a informação de que o Major Rangel, ex-subcomandante do 21º Batalhão estaria recebendo a quantia de 50 mil reais por mês e que os outros membros do chamado “Quarteto do Rangel” receberiam entre seis e dez mil reais, valor que mudava de acordo com a patente. As investigações foram iniciadas também por meio de levantamentos realizados pelo serviço de inteligência da Polícia Militar e de informações recebidas do disque-denúncia no ano passado.

Somente no primeiro galpão foram apreendidos 16 milhões de reais em produtos fruto de contrabando e na última sexta-feira (2) foi encontrado mais um galpão com o volume de material dez vezes maior que o primeiro, com lucros milionários para a quadrilha. 

Até agora já foram identificados 19 envolvidos, sendo que 16 estão presos. Do total, onze investigados, oferecem, segundo a decisão do magistrado, risco a ordem pública e podem atrapalhar as investigações. Nove policiais militares  faziam parte da quadrilha. Estão cumprindo prisão o ex-superintendente de Investigações Criminais, Tiago Bardal, o ex-subchefe do gabinete militar até 2014, Coronel Elias Francanlanci e o ex-vice prefeito de São Mateus, Rogério Garcia, que cita dois deputados que ajudariam a quadrilha em áudio que circulou em redes por todo o estado.


Como têm foro privilegiado, a identidade dos deputados ainda não foi revelada.  A Secretaria de Segurança Pública solicitou ao Tribunal de Justiça autorização para que eles fossem ouvidos. O soldado Patrick Martins se apresentou na sede da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor) e agora também cumpre prisão preventiva. Em entrevista à TV Difusora, o Secretario Jefferson Portela não descartou a possibilidade de que novas prisões aconteçam ainda esta semana. 

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