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Entenda diferenças entre doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti

No período de chuva a proliferação dos mosquitos é intensa. O Aedes aegypti é um dos transmissores das doenças mais frequentes nesta época do ano, pois ele é responsável pela transmissão de quatro tipos diferentes de doenças: febre amarela, dengue, zika e chikungunya.

Cada uma das doenças causadas pelo Aedes aegypti tem um quadro típico específico, embora tenham aspectos muito semelhantes. Sobre o tema, o infectologista e professor da Universidade Federal do Maranhão, Carlos Frias, esclareceu alguns pontos em relação ao mosquito e às doenças que ele transmite.

De acordo com o ele, nenhuma dessas doenças deixam sequelas, com exceção da zika. “As outras doenças, mesmo os casos mais graves, não deixam sequelas, mas o Zika pode atingir o sistema nervoso do feto durante a gravidez de mães infectadas e provocar malformações neurológicas, surdez, alterações oculares e cardíacas”, explicou.

Para ele, existe uma controversa entre os pesquisadores. Alguns acreditam que a vacina para a febre amarela garantiria uma imunoproteção por toda a vida. Vários outros acham que a vacina garante dez anos de proteção e deve ser reforçada após esse período, mas, mesmo assim, ele ainda alerta. “É muito importante fazer uma vacinação em massa bloqueando a cadeia epidemiológica”, lembrou.

Veja as diferenças entre as doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti

Sintomas característicos

Febre Amarela: A febre amarela tem uma característica básica. Ela começa com uma febre elevada, que se mantém durante quatro ou cinco dias, com muita dor muscular, queda do estado geral, que por uma espécie de resposta imunológica ela melhora por dois dias, mas que infelizmente volta depois de uma recaída, e essa recaída tem um comprometimento renal, podendo levar a óbito.

Dengue: Entre os sintomas, estão febre elevada, queda do estado geral intensa, náusea, vomito, e pode acompanhar também episódios de diarreia e manchas vermelhas no corpo, acompanhadas de desidratação. Esse quadro geral dura seis a sete dias, após o período de encubação, de uma semana.

Zika: A zika vem com febre semelhante a da dengue, contudo um mais pouco leve, com dores elevadas acompanhadas também de manchas vermelhas no corpo, muita coceira e vermelhão nos olhos. Este vírus também pode causar a Síndrome de Guillain-Barré, que é uma alteração imunológica. Um quadro de paresia (perda parcial da motricidade), parestesia (sensação anormal e desagradável na pele como dormência e coceira) e paralisia (perda da capacidade de movimento), que começa nos pés e vai subindo em direção à cabeça, podendo levar a óbito se atingir a musculatura respiratória.

Chikungunya: O vírus da Chikungunya causa febre, particularmente dores intensas nas articulações, manchas vermelhas na pele e náusea. Também tem um aspecto diferencial, porque estas dores se mantêm durante meses ou até anos, e causam dificuldades de realizar tarefas domésticas simples.

Diagnóstico

O principal diagnóstico de todas essas doenças é clínico. Em relação à dengue, já existe a sorologia. Mas esse exame de sangue só pode confirmar um resultado positivo entre uma semana a dez dias de infecção. Para o zika e a chikungunya existe sorologia em caráter experimental, sendo que não estão disponíveis na saúde pública, de maneira geral. Já para a febre amarela, infelizmente ainda não existe uma sorologia precoce. Na verdade, mesmo nos casos que são feitos analise de biópsia, é feita somente após o falecimento da vítima.

Tratamento

O tratamento dessas doenças depende justamente da evolução delas, ou seja, da forma o vírus agride o nosso organismo, lenta ou rápida. De uma maneira geral, não existe um antivírus. O que existe são medicamentos de suporte. Por exemplo, na dengue, é um muito importante um diagnóstico precoce e hidratação imediata do paciente.

“No zika e na chikungunya existem alguns aspectos interessantes: para o zika é recomendado antialérgicos, antitérmicos e às vezes anti-inflamatórios. Na chikungunya, também são utilizados os analgésicos. Todos os casos de febre amarela necessitam de internação imediata, e em todos eles, o papel do médico é manter o ciclo vital do paciente através da medicação e hidratação”, explica o infectologista.

Medidas preventivas

Nenhuma dessas doenças é contagiosa entre humanos. Elas dependem basicamente da picada do mosquito que faz a transmissão do vírus. No entanto, a primeira medida para evitar o contágio é combater o inseto vetor, isto é, não deixar água parada, acabar com áreas de mato perto de casa, colocar redes nas janelas, vestir calça e camisa com manga compridas, além do uso de repelente. “Isso vale para todas as essas doenças”, afirma Frias.

Outra recomendação, segundo o especialista, é que todas as pessoas que não têm certeza de que foram vacinadas em algum momento, devem procurar imunização, principalmente se for viajar para área de risco. “Já pessoas com baixa imunidade como gestantes, diabéticos, pessoas com câncer, com AIDS, aquelas que têm intolerância a ovo, não devem vacinar”, orienta Carlos Frias.