Home Notícias Mundo Pior surto de cólera no Congo em 20 anos deixa 2.000 mortos, segundo MSF

Pior surto de cólera no Congo em 20 anos deixa 2.000 mortos, segundo MSF

Pior surto de cólera no Congo em 20 anos deixa 2.000 mortos, segundo MSF

Pelo menos 1.990 pessoas morreram e 55 mil se contagiaram pelo pior surto de cólera que afetou a República Democrática do Congo (RDC) nas últimas duas décadas, assegurou nesta sexta-feira a ONG Médicos sem Fronteiras (MSF).

A epidemia afetou 24 das 26 províncias do país e, desde o final de novembro, começou a afetar alguns bairros da capital, Kinshasa, que conta com 12 milhões de habitantes, um sexto da população total desta nação centro-africana.

“A cidade é especialmente vulnerável ao cólera devido à falta de água potável e de infraestrutura de saneamento, e à ausência de hospitais ou centros de saúde adequadamente adaptados para proporcionar tratamento aos afetados”, segundo o comunicado publicado pela MSF.

Além disso, especifica que desde o final de novembro de 2017 até o dia 22 de janeiro deste ano foram confirmados 826 casos de cólera em Kinshasa, que causou 32 mortes.

Os rápidos níveis de propagação obrigaram a MSF a abrir um novo centro de tratamento na capital, a habilitar dez novos pontos de reidratação e a estabelecer um novo serviço de ambulâncias.

“O cólera está afetando áreas de Kinshasa que estão densamente povoadas, pelo que resulta crucial agir rapidamente e evitar assim que esta epidemia se propague ainda mais”, disse Jean Liyolongo, membro da equipe de resposta rápida a emergências da MSF no RDC.

A MSF está dando resposta para 46% do total de casos registrados em todo o país.

Em áreas onde o acesso à água potável é difícil e onde as estruturas de saneamento não são as adequadas o cólera é uma doença altamente contagiosa.

Além disso, a crise humanitária vivida pelo país, onde há cerca de 4,5 milhões de pessoas deslocadas internamente, dificulta a resposta.

Presente no país desde os anos 70, o cólera é uma doença endêmica em nove províncias da RDC, especialmente nas regiões orientais, próximas aos Grandes Lagos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou no dia 9 sobre o perigo das últimas inundações no país, que poderiam agravar “um dos surtos mais graves dos últimos anos”, segundo o seu porta-voz, Christian Lindmeier.

Agência EFE