Home Polícia Pedido de Habeas Corpus do agressor foi medida de desespero, diz advogada

Pedido de Habeas Corpus do agressor foi medida de desespero, diz advogada

Pedido de Habeas Corpus do agressor foi medida de desespero, diz advogada

Em entrevista para o Bom Dia Maranhão nesta quinta-feira (21), a advogada Ludmila Ribeiro falou sobre o andamento do seu caso, afirmando que o 3º pedido de Habeas Corpus impetrado pelos advogados do seu ex-companheiro Lúcio Genésio foi uma medida de desespero tomada pelo agressor. Ela diz que, mesmo assim, ainda não se sente totalmente segura.

“A sensação que eu tenho é que eu ainda não estou em segurança, já que as medidas protetivas do meu caso ainda não tem condições de ser cumpridas, já que ele permanece foragido. Eu tento me resguardar de toda forma, tomando minhas precauções, mas não posso dizer que estou em clima natalino e de virada de ano. Ainda me sinto em risco”, afirmou.

Quando questionada sobre o porquê de realizar a denúncia, mesmo sabendo a repercussão que o caso teria e as consequências que teria de enfrentar, Ludmila afirma que não via outras opções.

“Para sair desse ciclo de violência em que eu me encontrei, eu realmente não tinha outra opção. Acabei fazendo uma primeira denúncia de uma primeira agressão em Pinheiro. Mais de um ano depois, em uma tentativa de reconciliação, pois existe um vínculo permanente, que é o nosso filho, eu sofri uma segunda agressão 40 dias atrás. E como mulher e principalmente como advogada, eu não tinha outra opção a não ser denunciá-lo novamente”, aponta ela.

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Ela diz também que além dos dois episódios que passou envolvendo agressão física de Lúcio, ela já havia sido submetida a outros tipos de violência. “Com o atendimento especializado de psicólogos e de pessoas que realmente militam na causa, eu percebo que eu sofria vários outros tipos de agressão  sem perceber que era uma agressão, que deve acontecer também com outras mulheres”, ela explica.

Complementando a fala de Ludmila, a pós-doutora em psicologia Artenira Silva afirmou que muitas vezes a agressão física é a “gota d’água” para a mulher perceber que está sendo agredida. “Até ela [a mulher] perceber que todo o cerceamento da sua liberdade é uma violência, como quando o companheiro restringe os amigos, quando ele quer ver o celular, quando ele quer ter o controle dos locais que ela frequenta, isso vai fragilizando a auto estima dela. Nesse momento, ela não consegue perceber claramente ainda que esses indicadores são violência e esses indicadores evoluem. Quando eles evoluem para violência física, isso fica claro”, afirma. Segundo ela, a mulher leva em média de 3 a 4 anos sendo violentada até recorrer ao sistema de Justiça.

Confira abaixo a entrevista com as duas mulheres sobre o caso da Ludmila:

 

Relembre o caso

Após jantar com o seu ex-companheiro, Lúcio Genésio, Ludmila Ribeiro foi espancada por ele no dia 11 de novembro deste ano. Próximo ao seu condomínio, no bairro Cohama, ele a expulsou do veículo, quebrou seu celular e foi embora.

Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas ainda não foi preso e permanece foragido. No dia da agressão, ele havia sido preso, mas conseguiu ser solto após pagar fiança de mais de R$ 4 mil.