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Mulheres passam o dobro do tempo dos homens com tarefas domésticas, aponta IBGE

Mulheres passam o dobro do tempo dos homens com tarefas domésticas, aponta IBGE
 SÃO LUÍS – Um estudo divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (7) traz um realidade histórica já conhecida pela população feminina: no Brasil, mulheres passam o dobro do tempo que os homens realizando tarefas domésticas.
De acordo com a pesquisa, nove entre cada dez mulheres realizam algum tipo de tarefa doméstica durante, no mínimo, uma hora semanal. Entre os homens, sete em cada dez se dedicam a afazeres domésticos, mas dedicam metade do tempo gasto pelas mulheres nestas atividades.

Constatou-se, ainda, que as mulheres gastam cerca de 20,9 horas semanais cuidando das tarefas do lar, enquanto os homens gastam 11,1.

A taxa de realização de afazeres domésticos por condição no domicílio mostra que entre mulheres a maior taxa ocorre para as cônjuges: 95,6% das cônjuges, 93,0% das responsáveis pelo domicílio e 80,7% das filhas ou enteadas realizaram afazeres domésticos. Por outro lado, 80,6% dos homens responsáveis, 76,4% dos cônjuges e 57,6% dos filhos ou enteados realizaram tais atividades em 2016.

O levantamento feito pelo IBGE, por meio da  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), investigou, ao longo de 2016, além da realização de afazeres domésticos, a realização de cuidados de pessoas, de trabalho voluntário e da produção para o próprio consumo.

ATIVIDADES DO LAR

Em relação ao tipo de tarefa realizada no próprio domicílio, as mulheres apresentaram percentual maior de realização em quase todas as tarefas elencadas, exceto “fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos etc.”, tarefa realizada por 65,0% dos homens envolvidos em afazer doméstico (contra 33,9% das mulheres).

Merece destaque a grande discrepância nas tarefas “Preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça” e “Cuidar da limpeza ou manutenção de roupas e sapatos” entre mulheres e homens: 95,7% frente a 58,5% e 90,8% frente a 55,7%, respectivamente).

DADOS

Em 2016, das 166,7 milhões de pessoas com mais de 14 anos no Beasil, 6,3% da população realizou algum tipo de trabalho na produção de bens para próprio consumo; 26,9% realizaram cuidado de pessoas; 81,3% realizaram afazeres domésticos 3,9% fizeram trabalho voluntário.

Das pessoas que trabalharam na produção de bens para uso exclusivo de moradores do domicílio ou de parentes não moradores, 77,6% faziam cultivo, pesca, caça e criação de animais. A segunda atividade mais citada foi a produção de carvão, corte ou coleta de lenha, palha ou outro material (17,3%), seguida por fabricação de calçados, roupas, móveis, cerâmicas, alimentos ou outros produtos (11,6%) e por construção de prédio, cômodo, poço ou outras obras (7,0%).

TRABALHO DOMÉSTICO FEITO POR MULHERES

Em 2016, 32,4% das mulheres em idade de trabalhar realizaram atividades de cuidado de moradores do domicílio ou de parentes não moradores.

Entre os homens esta proporção era de 21,0%. No recorte por idade, 43,8% das mulheres entre 25 e 49 anos haviam realizado atividades de cuidados, enquanto apenas 29,6% dos homens desta faixa haviam se dedicado a tais atividades. Entre os homens de 14 a 24 anos, a taxa de realização de cuidados era de 15,1% e a das mulheres era de 29,5%.

Em 2016, 81,3% da população de 14 anos ou mais de idade tinha realizado afazeres domésticos no domicílio ou em domicílio de parente. Enquanto 89,8% das mulheres realizaram tais atividades, a proporção masculina era de 71,9%.

 

MULHERES SÃO MAIORIA EM TODAS AS FORMAS DE CUIDADOS DE PESSOAS

Na comparação por sexo, a taxa de realização de cuidados de pessoas pelas mulheres (86,9%) superava a dos homens (65,0%), assim como a taxa de auxílio em atividades educacionais (71,7% para as mulheres e 58,8% para os homens). Nas demais atividades, os percentuais são menos discrepantes, mas sempre superiores para as mulheres.

Considerando-se a condição no domicílio, a taxa de realização de cuidados de moradores para mulheres foi maior entre as cônjuges (39,0%), seguidas pelas responsáveis pelo domicílio (30,6%) e pelas filhas ou enteadas (25,9%). Já entre os homens, a taxa de realização tanto para responsável quanto para cônjuge ficou em torno de 25%, enquanto para filhos e enteados foi de 12,7%.

Entre as pessoas que cuidaram de moradores, quase a metade cuidou de moradores de 0 a 5 anos de idade (49,6%) e de 6 a 14 anos (48,1%), mostrando a importância do cuidado de crianças nos domicílios. Já o cuidado de idosos (60 anos ou mais de idade) correspondeu a 9,0% dos casos.

Percentual de pessoas de 14 anos ou mais de idade,
que realizaram cuidados de moradores por tipo de cuidado, segundo o sexo – Brasil – 2016

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – 2016

Em todas as categorias de cor ou raça, as mulheres realizam mais afazeres domésticos e cuidados de pessoas do que os homens

As taxas de realização de afazeres domésticos das mulheres superavam as dos homens nos três grupamentos de cor ou raça: enquanto as taxas das mulheres ficavam em torno de 90%, a dos homens ficava abaixo dos 74%, como mostra o gráfico a seguir.

Taxa de realização de afazeres domésticos no domicílio ou
em domicílio de parente, por cor ou raça e sexo – Brasil – 2016

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – 2016

Já a diferença entre as taxas de realização de afazeres domésticos das três categorias de cor ou raça entre as mulheres era menos acentuada: 89,1% das mulheres brancas realizaram essas atividades, abaixo dos 90,9% das mulheres pretas e 90,3% das pardas.

Quanto ao cuidado de moradores, a diferença era maior: 35,3% das mulheres pardas e 34,0% das mulheres pretas cuidaram de moradores do domicílio ou de parentes não moradores, ao passo que entre mulheres brancas a taxa de realização foi de 29,3%.

Entre os homens a diferença por cor ou raça nessa atividade teve menor intensidade: taxa de realização de 22,0% para pretos, 21,1% para pardos e 20,7% para brancos em 2016. A Região Norte apresentou o maior percentual de pessoas realizando cuidados de moradores ou de parentes não moradores (31,4%) e a Sudeste, a menor (25,7%).

Estes são alguns dos destaques do módulo Outras formas de trabalho da PNAD Contínua 2016, que investigou pessoas de 14 anos ou mais de idade que realizaram alguma destas atividades por pelo menos uma hora na semana de referência. Acesse aqui as informações do módulo da PNAD Contínua sobre Outras formas de trabalho.