Home Brasil Um olhar sobre o Festival 3I – Jornalismo Inovador, Inspirador, Independente

Um olhar sobre o Festival 3I – Jornalismo Inovador, Inspirador, Independente

Um olhar sobre o Festival 3I – Jornalismo Inovador, Inspirador, Independente

Raíza Carvalho – do Portal MA10

‘Como pensar o jornalismo como forma de serviço, não de produto?’ e ‘Como se reinventar em um meio cheio de vícios?’. Questões relevantes como estas, que nos fazem repensar todo o fazer jornalístico no cotidiano, foram levantadas durante o Festival 3I, (Jornalismo Inovador, Inspirador, Independente), realizado no Rio de Janeiro em novembro deste ano.

Como jornalista, maranhense, e integrante da equipe do Portal MA10 (Sistema Difusora) fui para ser apresentada às novidades de um meio fértil: um jornalismo que se reinventa. Na realização do festival, nomes nascidos no meio digital: Agência Pública, Agência Lupa, Brio Hunter, JOTA, Nexo, Nova Escola, Ponte Jornalismo, Repórter Brasil e Google News Lab se uniram com o propósito de analisar o presente para balizar e repensar o futuro da informação.

Os veículos dão voz às novas técnicas, formatos e abordagens que desbravam os limites do jornalismo – questionando-o, confrontando-o e remodelando-o. A quebra de tabus na linguagem, parcialidade jornalística, fact checking, jornalismo de impacto, segurança dos profissionais e novas redes sociais foram alguns dos pontos abordados durante o evento.

Ivan Mizanzuck, criador do Anticast

Jornalismo em… podcast?

Na teia de assuntos apresentados, algumas mesas e discussões merecem destaque.  Na mesa ‘Engajamento 360’, o designer e historiador de arte Ivan Mizanzuck trouxe o jornalismo à luz dos podcasts. Criador do Anticast, uma das principais plataformas de podcasts do país, ele apresentou uma questão curiosa “Por que o podcast não deslancha no Brasil?”.  Três pontos foram apresentados por ele como motivos fundamentais: a linguagem ainda não é compreendida por grandes veículos; falta estrutura para gravação de podcasts de boa qualidade; e falta produção de um conteúdo direcionado para internet.

A receita do podcast “perfeito”? A união de carisma e conteúdo, provocou Mizanzuck. De acordo com relatório divulgado pela revista Adweek, a mídia é a que mais cresce nos EUA em termos de investimento publicitário.  Para os curiosos desbravadores deste universo, o palestrante apontou os caminhos possíveis.  As produções de conteúdo independente (jornalístico, inclusive), incluindo os podcasts, podem ter um começo interessante ao você se colocar como autor de conteúdo, ter a sua própria voz. Sua origem, história e desenvolvimento devem ser incorporados à esta produção. “Que comunidade você constrói ao seu redor?” também pode ser uma pergunta norteadora.

Que é possível fazer produção de conteúdo independente com qualidade já sabemos. O verdadeiro desafio é monetizar a produção (em português popular, ‘ganhar dinheiro com isso’). Neste sentido, Mizanzuck finalizou com sua sabedoria: “Não largue seu emprego, mas faça seu programa independente” e profissionalize-o.

Veja um exemplo desta experimentação interessante de jornalismo em podcast neste do Projeto Humanos, cujo slogan é “histórias reais, com pessoas reais”.

O arquiteto e urbanista Caio Vassão, com seu Metadesign, e a jornalista Letícia Bahia, da Revista AZMina, compõem o time de profissionais que fazem diferença na revolução jornalística do país.

 

Laura Diniz, do Jota Info.

Novos formatos e tecnologia 

A jornalista Laura Diniz, do Jota  questionou a formação do profissional de jornalismo no Brasil na mesa ‘Tecnologia e novos formatos’. Para ela, as faculdades não estão prontas para preparar o jornalista para o mercado. Falham em duas exigências flagrantes do mercado atual: tecnologia e gestão. “O jornalista não tem que saber de tudo, mas ele precisa entender as possibilidades em tecnologia”, afirma.

Integrante de um portal de jornalismo independente que se volta à notícias jurídicas, Laura defende ainda que os veículos jornalísticos digitais precisam adotar a cultura de valorizar o que é bem produzido (dentro e fora do âmbito jornalístico), mesmo que sejam concorrentes. Neste cenário, seria possível algo nada usual hoje: uma reportagem de um veículo citando referências e links de outro da mesma natureza. Transformar competidores em contribuintes entre si.

 

Ouvinte registra momento do Festival 3I – Jornalismo Inovador, Inspirador, Independente, realizado no Rio de Janeiro.

Nota-se que…

Apesar de errar em alguns aspectos, como a representatividade – amplamente utilizada no discurso, mas pouco presente no evento – o Festival 3I merece ser celebrado por reunir quem se arrisca em propostas inovadoras de fazer jornalismo no país e de repensá-lo, para que este continue sendo uma ferramenta democrática.

Um aspecto pitoresco do 3I foi que os palestrantes estavam, em um instante, em evidência no palco, e em outro,  sentados nas cadeiras dos ouvintes, no lugar de qualquer espectador interessado na discussão. Quebrando a lógica de eventos como congressos, simpósios e similares, eles estiveram presentes no festival além do seu momento sob os holofotes.

Aguarde mais matérias sobre nos próximos dias.