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Trabalhadores são resgatados de trabalho análogo à escravidão

Trabalhadores são resgatados de trabalho análogo à escravidão

Uma operação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério do Trabalho (MTE) e Ministério Público Federal, realizada ontem (13), resgatou 20 pessoas que trabalhavam em regime análogo à escravidão, numa extração de carnaúba no município de Vargem Grande.

Os empregados foram flagrados em situação degradante, sem acesso à água potável, dormindo em redes ao relento, sem acesso a sanitários e sem carteira de trabalho assinada.

O destino do material extraído pelos trabalhadores resgatados tinha como rota os Estados Unidos e a China.

No local onde os homens estavam a polícia encontrou peixes armazenados junto à ração para cavalos. Eles dormiam em um lugar semelhante a um estábulo, e o pouco dinheiro que recebiam só era suficiente para a alimentação.

De acordo com o procurador do MPT que integra a equipe, Estanislau Tallon Bozi, os 20 homens resgatados estão hospedados em um hotel de Vargem Grande e ainda não receberam as verbas rescisórias.

Informações preliminares confirmam que os trabalhadores são naturais das cidades de Granja e Martinópolis, no Ceará, que também fazem parte da rota de municípios produtores de cera de carnaúba.

O empregador que explorava os 20 homens será investigado pelo MPT no Maranhão, podendo, inclusive, ser processado na Justiça do Trabalho e pagar indenização por dano moral coletivo.

Combate ao trabalho escravo no Maranhão

Atualmente, o MPT-MA conduz 52 investigações dentro da temática do trabalho escravo em todo o estado. O órgão possui 65 ações civis públicas ativas na Justiça do Trabalho e acompanha o cumprimento de 72 termos de ajuste de conduta, que foram assinados pelos exploradores de mão de obra escrava em território maranhense.

Segundo o Ministério do Trabalho, de 1995 a 2015, foram libertadas 3.242 pessoas de situação semelhante à de escravo em todo o Maranhão. O estado é o maior fornecedor de mão de obra escrava do Brasil, já que 23% dos resgatados do país são maranhenses.

As principais atividades econômicas que exploram o trabalho escravo no estado são: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal e construção civil. Sobre o perfil dos resgatados, 95% são homens, 33% analfabetos, 39% estudaram até o quinto ano e 83% têm entre 18 e 44 anos.

FOTO: Divulgação/PRF