Home Notícias Mundo Primeiro semestre de 2017 teve mais de 9 milhões de novos deslocados no mundo

Primeiro semestre de 2017 teve mais de 9 milhões de novos deslocados no mundo

Primeiro semestre de 2017 teve mais de 9 milhões de novos deslocados no mundo

Os conflitos armados, a violência e os desastres naturais causaram mais de nove milhões de novos deslocados no mundo na primeira metade deste ano, segundo dados publicados nesta quarta-feira pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno.

Entre todas essas vítimas, 4,6 milhões fugiram por causa de um conflito, número que no ano passado só foi atingido em setembro.

A República Democrática do Congo (RDC), cuja região central da província de Kasai se transformou em um novo foco de violência, é o país que gerou mais novos deslocados, praticamente um milhão nos primeiros seis meses do ano.

Com estes movimentos de população, o número total de deslocados é de 3,7 milhões na RDC, que sofre a pior situação da África e onde o conflito se expandiu a oito das 26 províncias do país.

No Iraque, onde uma longa ofensiva militar conseguiu a liberdade de Mossul após três anos sob controle do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), houve 992 mil deslocados internos.

O Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno, criado pelo Conselho Norueguês de Refugiados, considera que a ampla destruição da cidade atrasará consideravelmente o retorno dos que tiveram que fugir.

Mais recentemente, os combates em Kirkuk entre o exército iraquiano e o EI, que mantém o controle de áreas desta província, levaram ao deslocamento de mais 37 mil pessoas.

Já na Síria foram registrados 692 mil deslocados, pois, apesar de várias tentativas de cessar-fogo negociadas por diferentes atores, os enfrentamentos entre forças governamentais e rebeldes se intensificaram.

Além disso, a ofensiva contra o EI continua em Raqqa, cidade que o grupo terrorista declarou a capital síria do seu autoproclamado califado.

Segundo o Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno, as Filipinas são o quarto país com a situação mais grave, com 466 mil casos devido ao conflito na ilha de Mindanao, e na cidade de Marawi e seus arredores, de onde teriam saído 350 mil pessoas.

Seguem na lista de países com os números mais altos de novos deslocamentos entre janeiro e junho a Etiópia (213 mil), a República Centro-Africana (206 mil), o Sudão do Sul (163 mil), a Gâmbia (162 mil), o Afeganistão (159 mil), a Nigéria (142 mil), o Iêmen (112 mil) e a Somália (70 mil).

Por sua vez, 350 desastres, de menor ou maior proporção, causaram 4,5 milhões de novos deslocados e, ainda que este número só represente metade do que foi registrado no ano passado para o mesmo período, não se pode minimizar sua gravidade, já que a época das monções no sul e sudeste da Ásia ainda não começou, assim como o período de furacões na América.

“Portanto, esses números podem aumentar exponencialmente, como em anos anteriores”, advertiu o centro.

As situações mais graves ocorreram em inundações na China e por conta de um ciclone em Bangladesh. Também foram registrados grandes deslocamentos nas Filipinas, no Peru e no Sri Lanka, devido a desastres naturais.

“Isto nos mostra que os padrões previsíveis do clima podem causar elevados números de novos deslocamentos ano após ano, o que por sua vez indica que não se investe o suficiente para reduzir a vulnerabilidade das populações”, comentou a responsável da investigação, Bina Desai.

Agência EFE