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Distribuidora maranhense Lume Filmes traz longa de Rosemberg Cariry para telas

Distribuidora maranhense Lume Filmes traz longa de Rosemberg Cariry para telas

Longa dirigido pelo cineasta Rosemberg Cariry com distribuição local da maranhense Lume Filmes, Os Pobres Diabos, estreia nesta quinta-feira, no Cinépolis (Shopping São Luís) e no Cine Lume (Ed. Office Tower, no bairro Renascença).

Mais uma obra de Rosemberg Cariry que visa fortalecer e difundir a cultura nordestina. A obra trata sobre a magia do circo com as dificuldades de fazer e viver da arte, o artista, a magia e a luta cotidiana pela sobrevivência. Assim se desenvolve a trama do filme “OS POBRES DIABOS”. Com um elenco de estrelas formado por Chico Diaz, Sílvia Buarque, Everaldo Pontes, Gero Camilo, Zezita Matos e Sâmia Bittencourt, entre outros nomes, o longa apresenta ao público o Gran Circo Teatro Americano, uma companhia mambembe e pobre, que perambula por pequenas cidades do sertão nordestino até armar a tenda em Aracati, no litoral do Ceará.

O elenco é composto por atores globais como Chico Diaz e Sylvia Buarque. Eles interpretam artistas de um circo pobre, que exibem alguns números que eles se vestem de lúcifer, o diabo no imaginário nordestino – por isso Os Pobres Diabos. O público poderá prestigiar o trabalho no dia 06 de julho em várias salas do cinema do país. No Maranhão, o filme será exibido em São Luís e Imperatriz.

SINOPSE
“Gran Circo Teatro Americano” perambula por pequenas cidades dos sertões, até chegar à cidade de Aracati, onde monta uma peça teatral. No cotidiano do circo, acontecem aventuras, nas quais os personagens agem ao modo picaresco dos anti-heróis da literatura de cordel e do romanceiro popular. As dificuldades se acumulam, mas a arte ajuda a superar desventuras e tragédias. O espetáculo não pode parar.

Veja trailer:


No filme os Pobres Diabos, o diretor mostra-se sereno e atento aos mínimos detalhes, na condução do seu modo de fazer cinema, com um toque autoral. Embora se veja favorecido pela revolução tecnológica em curso na área, explora a sua faceta humana, natural e artesanal. Sabe que depende sempre ainda da expressão dramática de atores e atrizes, do rigor da fotografia, da generosidade da luz solar, da criatividade diligente e inspirada da direção de arte. Sob o rigor de uma narrativa que se propõe simples, a exemplo das narrativas da literatura de cordel, o filme recria e funde artes e artimanhas, saberes e sentimentos, arquétipos e sonhos, tradições perdidas e relidas, tempo presente e pretérito, em busca de um sentido estético capaz de vencer o vazio individualista e globalizante, na era do desfazimento de tudo, em especial, da dissolvência cultural da chamada pós-modernidade.

Para Rosemberg Cariry, “A discussão sobre o significado de cultura e especificidade cultural é um desafio para o qual devemos estar sempre atentos. Nesse sentido, como artistas de circo, os personagens têm em comum a característica de viajantes e nômades: com o passar do tempo, eles vão adquirindo características de tantos lugares por onde passaram e/ou viveram, que já não é possível identificar de onde eles vieram, ou que lugar ou cultura representam. Esta decisão está refletida na escolha que fizemos dos atores e atrizes de Os Pobres Diabos, vindos de várias regiões do país”.

Os Pobres Diabos mergulha em uma gostosa e envolvente história, já que no circo, o público também faz parte do espetáculo. O filme consegue reunir crítica social, pitadas de humor e um pouco também de drama. “Livre, poético e humanamente político. Poder trabalhar em um ambiente autoral e regional é um privilégio, ainda mais nos dias que correm, onde a voz única de mercado e de superfície condenam qualquer voz dissonante. Poder trabalhar em um tema que versa sobre a condição do artista, ambientado em um pequeno circo onde glória, poder, amor e arte se misturam é uma sorte”, assim fala o ator Chico Diaz sobre sua experiência nesse trabalho.

A escolha do elenco foi parte fundamental do processo, já que o filme traz o encontro de atores profissionais do teatro e do cinema com artistas circenses. Chico Diaz, diz da sua satisfação em realizar esse filme: “Poder trabalhar em um ambiente autoral e regional é um privilégio, ainda mais nos dias que correm, onde a voz única de mercado e de superfície condenam qualquer voz dissonante. Poder trabalhar em um tema que versa sobre a condição do artista, ambientado em um pequeno circo onde glória, amor, poder e arte se misturam é uma sorte. Poder trabalhar em família é uma bênção. A minha, a do Rosemberg, a do circo. Devemos muito à família circense reunida”. “Realizamos um cinema que se coloca dentro da vida, um destino que se constrói junto ao acaso. No set, improvisamos muito e incorporamos cada dificuldade, cada chuva, cada dia de sol, cada talento ou idiossincrasias dos atores”, completa Rosemberg.

Para Silvia Buarque, o filme abriu-se com um bom desafio: “Trabalhei o personagem pelo afeto e até pela compaixão mesmo, no fundo, a Creuza é uma mulher carente e infeliz. Mas a Creuza tomou corpo mesmo quando começamos a rodar o filme e o Rosemberg foi me conduzindo, com a sabedoria dos mestres, que nos conduzem entendendo e ouvindo quem somos e o que pensamos. É claro que um mês no set, convivência diária, conversas, improvisações, tudo isso foi fundamental para essa comunhão. Foi uma das experiências mais ricas na minha vida profissional no cinema”.

Apesar da obra ser uma ficção, o diretor afirma que filme é uma memória reinventada da infância nos sertões do Ceará. “Lembro-me das atrações, do leão faminto que (conforme a lenda) alimentava-se de gatos; lembro-me também da cantora de rumba, do homem forte, do palhaço que cantava pelas ruas convidando para o espetáculo. As crianças que respondiam aos bordões, acompanhando os palhaços. Éramos transformados em atores coadjuvantes do grande espetáculo. Nesse sentido, o circo tinha uma função também iniciática. O sonho de todo menino do sertão era ser palhaço, mais do que trapezista ou domador de leão”, explica.

Frederico Machado, da distribuidora Lume Filmes, ressalta a importância desse lançamento para a firmação da rica e diversificada cinematografia do Nordeste: “O Nordeste hoje produz um cinema importante, em sua diversidade e proposições estéticas. Esse cinema precisa circular, ser exibido. Daí o nosso esforço para que Os Pobres diabos não ficasse restrito às mostras, nos festivais, aos cineclubes e às TVs por assinatura. Acreditamos muito no potencial desse filme e do cinema brasileiro”