HomePolítica “Não será votada nenhuma reforma enquanto não houver renúncia”, diz deputado

“Não será votada nenhuma reforma enquanto não houver renúncia”, diz deputado

“Não será votada nenhuma reforma enquanto não houver renúncia”, diz deputado

O deputado Rubens Pereira Júnior cedeu uma entrevista exclusiva para o MA 10 e comentou a crise política do Brasil e as reformas propostas pelo Governo Federal. Acompanhe:

MA 10: Sobre a duplicação da BR 135, que permanece atrasada, o DNIT tem dado algum posicionamento?

Rubens Pereira Júnior: Tem, nós temos feito cobranças quinzenalmente no mínimo, e a penúltima informação é que o montante de chuva tinha atrasado as obras. Mas o período de chuva passou, e apesar das chuvas ocasionais que estão acontecendo, isso não inviabiliza mais as obras. Tanto que as obras foram recomeçadas. Já vimos maquinários na região, não há nenhum empecilho financeiro, não há atraso de pagamento, está absolutamente tudo garantido. A emenda de bancada é impositiva, então está garantido em relação aos trechos 1, 2 e 3 e dessa vez o calendário será mantido. O calendário determina que até o fim do ano seja entregue o trecho 1, que vai do Campo de Perizes até a cidade de Bacabeira. A bancada não medirá esforços para garantir essa concretização.

MA 10: Em relação à conjuntura política atual do país, qual é o posicionamento da bancada maranhense?

Rubens Pereira Júnior: A bancada não se manifesta em assuntos que não dizem respeito apenas ao Maranhão. Nós vamos respeitar o posicionamento de cada deputado e de cada partido. Não fecharemos questão, exceto se percebermos que o Maranhão está sendo prejudicado. Então se a BR 135 não andar, nós não descartamos a possibilidade de fazer uma obstrução total em todas as votações na Câmara, a bancada como um todo. Mas em relação à grave crise política, cada deputado terá seu posicionamento e nós vamos respeitar. No nosso caso, eu acho inevitável a queda do Temer, ele é um ex-presidente em exercício, envolto em corrupção, sem apoio popular, com uma crise econômica que não acabou, então ao meu ver ele em poucos dias deixará de ser presidente e a gente torce para que o caminho encontrado seja o da eleição direta ou, em último caso, o cumprimento da constituição federal.

MA 10: Falando ainda das Diretas, que o senhor já disse que é a favor, o senhor acha que é realmente viável? Porque ás vezes a população solicita algo que não é viável juridicamente ou pela constituição.

Rubens Pereira Júnior: Só é viável se aprovarmos a PEC. Mas a PEC é de difícil tramitação. No Senado, é preciso apresentar um coro de 3/5. Não é um processo rápido. Torço para que a aprovemos. Se não der certo, temos que cumprir a constituição e fazer uma eleição indireta.

MA 10: Em relação ao conjunto de reformas que o Governo tem tentado aprovar de maneira incisiva, mesmo com essa crise. Qual o seu posicionamento?

Rubens Pereira Júnior: Nós votamos contra a reforma trabalhista, porque ela prejudicava o trabalhador e favorecia exageradamente a precarização do trabalho, os contratos temporários e contratos por terceirizadas e quem é trabalhador sabe que os direitos não são os mesmos. É bem melhor ser trabalhador em uma empresa regular que em uma terceirizada e por esse motivo votamos contra. O projeto foi aprovado na Câmara e está no Senado. Acredito que não vá andar agora. O mesmo vale para a reforma da Previdência. Essa é uma reforma que acaba com a Previdência no sentido de importante instrumento de distribuição de renda, afeta diretamente os mais necessitados, como requisito para se aposentar, tem que acumular 65 anos de idade e 25 de contribuição de carteira assinada, tirando o servidor público, é muito difícil o trabalhador chegar nessa marca,ainda mais no nosso estado onde a informalidade impera, onde tem a rotatividade dos empregos, onde não há uma estabilidade. Isso vai fazer com que muitos maranhenses deixem de garantir esse direito social tão importante. Ao meu ver, não há clima nenhum para que haja uma votação. Nós do partido de oposição já decidimos que estamos em obstrução: não será votada nenhuma reforma enquanto Temer não renunciar.