Home Maranhão Mulher contradiz Gamelas e afirma ter sido feita refém por horas

Mulher contradiz Gamelas e afirma ter sido feita refém por horas

Mulher contradiz Gamelas e afirma ter sido feita refém por horas

O episódio violento que aconteceu no povoado Baías, município de Viana, no último domingo (30), ganhando repercussão nacional nos últimos dias foi motivado por um confronto entre índios Gamela e fazendeiros da região, e segundo a comissão de Direitos Humanos da OAB, deixou cinco índios e dois agricultores gravemente feridos. Depois do incidente, autoridades da OAB e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, se deslocaram para o local e estão dando assistência aos índios.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Rafael Silva, informou que, junto com a Comissão Pastoral da Terra, CPT, o Conselho Indigenista Missionário, CIMI, e o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública Estadual, DPE, fará uma solicitação formal para que o caso seja solucionado evitando novos confrontos.

No momento a situação está controlada. Agentes da Polícia Federal, e policiais militares estão no povoado Baías, para garantir a segurança das duas partes envolvidas. Já a polícia civil, que instaurou inquérito está colhendo depoimentos para desvendar o caso que tem versões contraditórias.

Versão dos agricultores:

O confronto aconteceu em uma pequena fazenda do povoado. Núbia Amaral Costa, é esposa do caseiro da fazenda, e estava sozinha em casa quando afirma ter visto os cachorros acuarem e quando olhou pela janela a propriedade já estava completamente cercada por índios armados. Ela conta que tentou fugir mas foi feita refém durante duas horas. O esposo dela, Carlos Augusto, tentou entrar na residência mas, segundo o relato foi impedido, ele também conversou conosco e disse que conseguiu sair do local e pedir socorro aos tios da esposa e aos vizinhos que reuniram a população e foram expulsar os indígenas, o que resultou no confronto.

Carlos conta que desde domingo, a cada noite, ele, a esposa e o filho têm dormido em casas diferentes com medo de retaliação.

Versão dos Índios:

De acordo com os índios Gamela, o ataque aconteceu enquanto caminhavam rumo à aldeia. Os homens estariam armados com facões, armas e pedaços de pau. Eles teriam sido pegos de surpresa com a chegada de dezenas de homens que os atacaram de forma covarde e não tiveram como se defender.

A pajé da tribo, Maria de Fátima, disse que o massacre ao povo dela é histórico e que agora eles querem recuperar o território que foi tomado deles, para fortalecer a cultura e evitar que ela se perca.

O índio Jaudemir Caldas negou que a tribo tenha organizado ou realizado ataques e reforçou a versão de que os Gamela foram atacados brutalmente.

Situação do Território:

Para demarcar o que é ou não dos índios a Fundação Nacional do índio, FUNAI, precisa fazer um levantamento para que foi solicitado pelo Governo do Estado em 2015, quando outro confronto aconteceu. Na ocasião o órgão informou que não faria por falta de recursos. Em agosto do ano passado os índios conseguiram expulsar moradores de outra propriedade que fica nas proximidades da aldeia.  Nós fomos ao local acompanhados pela Pajé. Lá, eles já construíram a oca onde são realizadas algumas cerimônias.

Na última terça-feira (02) o secretário de estado de direitos humanos e participação popular,  Francisco Gonçalves, afirmou durante  reunião com entidades que estão acompanhando o caso,  que  “irá colaborar com aporte de recursos para a Funai, para que ela possa cumprir o seu papel constitucional e obrigatório. E ainda ampliará a segurança na área para garantir a ordem pública, e evitar que haja novas situações de violência”.

Após muita pressão dos órgão públicos, agora a FUNAI disse que vai enviar uma equipe para avaliar a situação dos índios do povoado.

Abaixo estão os documentos que o Governador Flávio Dino publicou no Facebook, comprovando a solicitação feita pelo estado em 2015:

 

Assista também a matéria completa veiculada pela TV Difusora:

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