Home Brasil Greve geral movimenta o Brasil e termina com confrontos

Greve geral movimenta o Brasil e termina com confrontos

Greve geral movimenta o Brasil e termina com confrontos

A sexta-feira (28) no país foi marcada pela greve geral de categorias profissionais. Em diversas cidades, na maioria capitais, rodoviários, metroviários, professores e trabalhadores do comércio aderiram à paralisação, convocada pelas centrais sindicais em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência. Na maioria dessas cidades, os serviços de transporte coletivo foram interrompidos parcialmente ou totalmente durante o dia. Agências bancárias, escolas e lojas ficaram fechadas.

As centrais criticam pontos das reformas, como a idade mínima para a aposentadoria e o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. O governo argumenta que as mudanças são necessárias para o pagamento dos benefícios previdenciários às gerações futuras e a criação de empregos.

Os manifestantes realizaram atos e passeatas. Houve também bloqueio de vias e rodovias. Empresas e governos recorreram à Justiça para que parte dos funcionários trabalhassem neste dia.

As duas maiores centrais sindicais do país – Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical – consideraram exitosa a greve e mostra que existem propostas para a retomada do crescimento do país sem “a perda de direitos trabalhistas, previdenciários e sociais” . O governo federal avaliou que os atos foram restritos aos grandes centros e que houve baixa adesão, o que significa que a maior parte da população apoia as reformas propostas pelo Executivo e em tramitação no Congresso Nacional.

 

Polícia Militar e manifestantes entraram em confronto no centro do Rio durante protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência Tomaz Silva/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

´Greve foi menor que organizadores esperavam, mas maior que governo gostaria’, diz cientista político

Marco Antonio Teixeira, cientista político e professor do Departamento de Gestão Pública da FGV, resumiu: “Acho que as manifestações, apesar de grandes, não foram do tamanho que os manifestantes esperavam. “Por outro lado, elas também não foram tão pequenas quanto o governo gostaria.”

“O efeito nós vamos sentir na semana que vem, com o retorno das atividades do Congresso vai dar para medir quais serão os desdobramentos”, afirmou.

A cientista política e pesquisadora do Cetesp-FGV, Lara Teixeira, também pontuou que ainda está cedo para entender os reflexos das mobilizações desta sexta.

“A gente não consegue mensurar quantas pessoas não foram trabalhar porque aderiram à greve e quantas não foram porque não conseguiram chegar ao trabalho. Mas o comércio, por exemplo, sentiu. O dia teve um movimento pior que de feriado, alguns comerciantes disseram. O transporte público parou o dia todo em São Paulo. Então é possível dizer que a greve foi sentida.”

“O impacto poderá ser sentido na decisão dos parlamentares quanto às reformas. Mas ainda é preciso esperar que eles comecem a se manifestar para saber se essa greve terá um efeito.”

No entanto, para Antonio Lavareda, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), as manifestações “falharam”. Ele acredita que, por causa da baixa quantidade de pessoas na rua e dos incidentes de confronto, “os opositores às reformas fizeram um gol contra”.

Confrontos

A paralisação nacional terminou com confrontos entre grupos de manifestantes e policiais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Na capital paulista, a confusão ocorreu na região onde fica a casa do presidente Michel Temer, que passou o dia em Brasília. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes. O grupo, alguns com o rosto coberto, reagiram com paus e pedras contra o policiais.

No Rio de Janeiro, houve confronto entre alguns manifestantes a polícia na Cinelândia, onde estava previsto o ato de encerramento da greve geral. Os agentes usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersão e causou um corre-corre.  Sindicalistas, lideranças sociais e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acusam a Polícia Militar de ter inviabilizado o comício por causa da ação adotada e provocado o esvaziamento do local.  Em nota, a PM diz que agiu para combater a ação de vândalos.

Antes, alguns manifestantes e policiais se enfrentaram em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A confusão começou depois de um homem, usando uma máscara, ter atirado um coquete molotov nos policiais que faziam a segurança do prédio da Alerj.

Com informações da BBC e Agência Brasil