Home Maranhão Imperatriz 90% das presidiárias cumprem pena por tráfico de drogas

90% das presidiárias cumprem pena por tráfico de drogas

90% das presidiárias cumprem pena por tráfico de drogas

Atualmente 22 mulheres estão presas na UPRD. No entanto, de acordo com a direção da Unidade, apesar deste número parecer baixo, ele é alarmante para os padrões da região.

O comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar, tenente – coronel Ilmar, afirma que quase 90%  das mulheres presas em Imperatriz foram autuadas por tráfico de drogas e quase sempre elas possuem uma relação afetiva com o fornecedor dos entorpecentes.

“Essas mulheres geralmente são companheiras de traficantes, e depois que seus companheiros são presos, elas ficam responsáveis por gerenciarem a “boca de fumo”, até mesmo por medo e à mando desses companheiros,” completa o coronel.

Dentre essas mulheres, várias foram presas conduzindo drogas, as chamadas ‘mulas’, como é o caso da mulher grávida que tentou entrar na Unidade Prisional de Ressocialização de Imperatriz (UPRI), com uma porção de maconha na vagina, para entregar ao companheiro este final de semana. Ao ser descoberta, a mulher foi levada ao hospital para a retirada da droga e em seguida enviada ao presídio de Davinópolis (UPRD), que é onde ficam as mulheres presas na região.

Segundo o delegado regional de Imperatriz, Eduardo Galvão, a polícia tem, intensificado as frentes de combate na cidade e região, para diminuir o número de mulheres envolvidas em crimes, principalmente os relacionados com drogas.

“Hoje em Imperatriz quase toda guarnição da Polícia Militar tem uma policial que nos ajuda na abordagem se houver necessidade de uma revista pessoal, porque a regra é no caso da abordagem de um casal e o homem estiver armado ou com drogas, ele tende a passar o material para a companheira, contando com a possibilidade de ela não ser revistada,” explica o delegado.

 

Os números

O Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen), afirma que cerca de vinte e oito mil mulheres cumprem pena em todo o país, ou seja, são entre 5% a 6% do total de presos no Brasil, que hoje são mais de quatrocentos e vinte mil pessoas.

Conforme o Depen, dois fatores importantes para o aumento da população carcerária feminina são o crescimento da participação da mulher em diversas atividades, inclusive na criminalidade, e o repasse de atividades criminosas à mulher, por cônjuges, namorados ou irmãos, quando eles mesmos são presos.

O aumento de mulheres presas na última década se deu pelo grande número de condenações por posse, uso e tráfico de drogas. O perfil foi mudando, assim como os delitos.

 

O perfil

De acordo com pesquisas feitas, antes dos anos 70, os crimes mais praticados pelas mulheres eram os passionais.

Já entre as décadas de 60 e 70, a figura da mulher aprisionada se revelava em duas faces: a da rebeldia e a delituosa. Assim, dividida de um lado, pelas questões políticas, onde o aprisionamento se dava em repúdio a ideologias e militâncias não aceitas pelo poder maior do Estado.

Já do outro, lado também aprisionado, estavam as mulheres presas por práticas delituosas, sendo o crime de furto o maior tipificado a garantir mandatos de prisões e condenações pela prática.

Segundo dados do Ministério da Justiça, atualmente o perfil das mulheres presas no Brasil é formado por jovens, dois terços do total têm entre 18 e 34 anos; negras, 45% são pretas ou pardas, de acordo com a nomenclatura do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); responsáveis pelo sustento da família, 14 de cada 15 mulheres; e com baixa escolaridade, 50% têm ensino fundamental incompleto.

Esse perfil reforça a ideia que as presidiárias são marginalizadas e que, quando retornam à sociedade depois de cumprida a pena, têm dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, o que intensifica a reincidência no crime.