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Após ataques, Egito aprova estado de emergência de três meses

Após ataques, Egito aprova estado de emergência de três meses

O governo do Egito aprovou um estado de emergência em todo país por três meses, informou em comunicado nesta segunda-feira, um dia depois de duas explosões em igrejas deixarem pelo menos 44 mortos no país.

O estado de emergência entrará em vigor a partir de 13h (8h no horário de Brasília), segundo o comunicado, mas deverá ser aprovado pelo Parlamento em até sete dias para continuar válido.

A medida foi anunciada no domingo em um comunicado televisionado do presidente Abdel Fattah al-Sisi, após os ataques.

Nesta segunda-feira (10), enquanto retiravam os corpos de familiares e amigos mortos em duas explosões de bombas em igrejas, cristãos do país expressavam revolta contra um Estado que não acreditam mais que irá protegê-los de vizinhos determinados a exterminá-los.

Foram 44 mortos nos ataques ocorridos durante o Domingo de Ramos, ocasião festiva que antecede em uma semana o Domingo de Páscoa, quando os cristãos comemoram a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

No necrotério do hospital da Universidade de Tanta, famílias desesperadas tentavam entrar para procurar seus parentes mortos. Forças de segurança contiveram os familiares para evitar a superlotação, enfurecendo a multidão.

“Por que vocês estão nos impedindo de entrar agora? Onde vocês estavam quando tudo isso aconteceu?”, gritou uma mulher que buscava um familiar. Algumas pessoas pareciam em estado de choque. Outras choravam abertamente e algumas mulheres estavam em prantos.

Um homem de meia-idade que acabava de sair do necrotério depois de ver seu irmão morto chorava com o rosto entre as mãos. Ele xingou as forças de segurança, aos gritos, enquanto a família tentava acalmá-lo.

Horas depois do ataque, Kerols Paheg e outros jovens cristãos coptas já estavam cavando túmulos no subsolo da devastada igreja de São Jorge da cidade do norte do Delta do Nilo, onde a primeira das bombas explodiu, matando 27 pessoas e ferindo cerca de 80.

Ele mostrou fotos da barbárie em seu celular: restos humanos, sangue e vidro estilhaçado espalhados pelo chão da igreja em um dos dias mais sagrados do calendário cristão. “Hoje deveria ser um dia de festividades”, disse.

De agora em diante, os próprios cristãos terão que proteger suas igrejas, ao invés de contar com a polícia, “porque o que está acontecendo é demais. É inaceitável”, disse.

Com informações de Reuters Brasil