Home Cultura Cinema Exuberância e encanto suavizados por atuação fraca de Emma Watson

Exuberância e encanto suavizados por atuação fraca de Emma Watson

Exuberância e encanto suavizados por atuação fraca de Emma Watson

Raíza Carvalho – da equipe de MA10

Adultos, adolescentes, crianças na fila de espera do cinema com um brilho no olhar de uma ansiedade doce. Este é o efeito “A Bela e a Fera”, versão live-action da clássica animação da Disney que estreou no Brasil nesta quinta-feira (16). Com um elenco de estrelas e produção e cenários impecáveis, o filme não decepciona ao recriar toda a atmosfera do aclamado conto de fadas popularizado pela Disney com perfeição, mas economiza nas emoções.

Fiel ao roteiro da animação, o filme dirigido por Bill Condon é um musical, o que pareceu surpreender o público das primeiras sessões lotadas da estreia. Com as belas músicas compostas por Howard Ashman e Alan Menken apresentadas já na animação de 1991 e outros, os números musicais trazem magia, dramaticidade e comicidade misturados a um requinte e luxo que chamam atenção na produção.

Um dos elementos louváveis do filme, além dos carismáticos personagens originais, como o candelabro Lumière e o ranziza relógio Horloge, são as cenas originais da produção de 2017. Mesmo para os estudiosos do primeiro filme da Disney, as novidades no roteiro assinado por Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos temperam o clássico com curiosidade. Entre as novidades, estão o fato da própria Bela ser uma inventora – ajudando o pai e criando engenhocas artesanais para facilitar sua vida e também uma viagem pelo passado da mãe e do pai de Bela, algo não explorado pela animação.

O ator britânico Dan Stevens dá vida à Fera, convencendo ao mostrar a beleza do homem que habita a roupagem horrorosa do ‘monstro’. A dobradinha entre o cômico vilão Gaston, vivido por Luke Evans, e seu apaixonado e fiel escudeiro Lefou, vivido por Josh Gad, arrancam boas risadas do público. A protagonista Bela, porém, foi suavizada pela atuação de Emma Watson, que deixou transparecer muito de sua própria personalidade no longa-metragem.

Lefou e Gaston celebram a ‘perfeição’ do último em número musical. Reprodução: Disney

Emma Watson, atriz conhecida do público pela saga Harry Potter, é admirada em todo o mundo não apenas por seus personagens, mas por sua atuação como defensora das mulheres em todo mundo, portando, inclusive, o título de Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres. A figura da atriz como Bela, uma mulher à frente de seu tempo que também lutava pelo direito de ser independente, foi sutilmente explorada na campanha que promoveu o filme. Em uma análise distanciada da admirável atriz e focando somente na animação, não é exagero dizer que a atuação da atriz empobreceu Bela de emoções. Com expressões deveras sutis e olhares que não passavam terror, amor, revolta, encanto e demais sentimentos vividos por Bela, a princesa – que é cabeça e coração – beirou a austeridade durante quase todo o filme.

No entanto, a falta de profundidade da personagem não apaga o brilho da produção. Adaptações perfeitas como a romântica cena da valsa ou do povo da cidade guerreando com os objetos encantados renderiam palmas se pudessem ser ouvidas. Com cenas tão ricamente trabalhadas, fortes músicas, personagens cativantes e efeitos especiais minuciosos, a reação natural é sair do cinema suspirando pela bela história.

 

A clássica valsa irreparável na cena do live-action. Reprodução: Disney