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Adalberto Franklin: O Velho Pássaro faz seu último vôo

Adalberto Franklin: O Velho Pássaro faz seu último vôo

“Não há coincidência na história. Há o fato e a farsa.”

Com um olhar capaz de enxergar beleza nas escritas mais simples e uma simplicidade que contrastava com o seu vasto conhecimento, Adalberto Franklin Pereira de Castro, o dono da frase acima, era um defensor da democracia e da universalização de direitos.

Piauiense da cidade de Uruçuí, Adalberto foi um militante das causas sociais, acreditava que a terra era direito de todos,  na bondade do ser humano, na capacidade de recuperá–lo e que só a educação era capaz de diminuir a desigualdade social.

Adalberto nutria uma paixão que o consumiu durante toda a vida: era amante do conhecimento e também da universalização deste. Ele entendeu  ainda na infância, que o Saber só faz sentido quando é compartilhado, e que quando compartilhado ele se multiplica; exatamente como uma ave, que quanto mais voa pra longe, leva  sementes para onde a arvore jamais sonharia em ir.

Professor, escritor, político, militante, editor, pesquisador,o autodidata Adalberto Franklin entre outros projetos, ajudou a fundar a Academia Imperatrizense de Letras – AIL, conquistando em tempo, o direito de ser chamado de Mestre.

Mestre, sobretudo de um conhecimento que não se aprende em salas fechadas, de um saber acima do egoísmo, dos muros e das limitações situacionais dos quais tanto se valem para ter status. O Velho Pássaro era generoso  com as sementes que distribuía.

O amor pela terra e pelo povo que chamou de seu, o fez mergulhar fundo nas memórias e nas lembranças dessa gente; ao ponto de a história de Imperatriz se misturar com a própria história de Adalberto, em uma harmoniosa e complexa dança.

Publicou vários livros, editou outros tantos ao longo da vida e colaborou  em outros mais, Adalberto nunca negou auxílio a quem o procurava , para contar um fato inédito – ou não, através de escritos, mesmo os mais simples.

Centenas de novos escritores, leitores, questionadores e militantes nasceram de sua orientação, suas obras e seu exemplo. Sua irmã Gisilda o definiu:  “Adalberto sempre foi um sonhador, um homem dedicado a contar a história da região e nisso empenhou a vida toda”.

O segredo desvendado por Adalberto deu frutos, e o saber compartilhado por ele floresceu.

O imortal em sua generosidade semeou em vidas que ele jamais poderá contabilizar. Novos pássaros que receberam do Sábio Pássaro as sementes e as levam cada vez mais longe, ampliando a corrente de saber, tornando o mundo um lugar melhor, um pouco mais parecido com o mundo sonhado por Adalberto.

Quanto ao velho pássaro, esse descansa o sono dos justos e colhe os louros de sua intensa jornada.

Pode ir em paz Querido Pássaro, a sua semente tão amada jamais deixará de ser propagada.