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Sensor acessível criado pela UFMA mede nível de biodiesel no diesel

Sensor acessível criado pela UFMA mede nível de biodiesel no diesel

Começou a valer, na quarta-feira (1), a resolução que eleva a composição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor para 8% (B8). A medida está prevista em lei publicada em 2016 no Diário Oficial da União, que determina que a taxa de biodiesel presente no óleo diesel vendido em todo o país deve aumentar até 2019. De acordo com o texto, o índice de biodiesel no diesel passou de 7% para 8% em 2016, entre este ano e 2018, deve chegar a 9%, e alcançar até 10%, até 2019.

Pensando nisso, uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Maranhão está em busca de uma solução para um problema atual: a medição de biodiesel no diesel. O professor que está à frente da pesquisa, Allan Kardec, afirma que a ideia do projeto surgiu quando ele trabalhou como de presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 2008 a 2012.

O docente da UFMA aponta que no período notou que a principal reclamação dos empresários da área era a burocracia e demora do processo, que demandava a análise das amostras em alguns poucos laboratórios pelo país, que repassavam os resultados para a então aprovação do combustível para venda. Além do alto custo operacional dos métodos de medição, que também dificultam para que o processo seja otimizado. “A partir dessa experiência, então, surgiu a necessidade de pensar em uma solução para o problema”, afirmou Kardec.

Imagem: arquivo do professor Allan Kardec

A proposta então foi desenvolver um sensor com mais mobilidade e que utilizasse um método de medição menos custoso. Allan Kardec, junto ao estudante de doutorado Christian Diniz Carvalho, trabalharam então juntos na primeira etapa do projeto, que contou com o suporte financeiro da CNPq. Durante a pesquisa, foi construído um protótipo de sensor que determina o teor de biodiesel em misturas binárias de biodiesel/diesel utilizando constante dielétrica.

Próximos passos

Em uma segunda etapa do projeto, já em andamento com o apoio do estudante Inocêncio Neto e do professor de Engenharia Civil, Francisco Sávio Sinfrônio, está sendo trabalhada a portabilidade do sensor. Segundo o professor Allan Kardec, a ideia é gerar um aparelho que possa ser levado para os postos, para uma medição no próprio local. Isso otimizaria e facilitaria o processo, diminuindo a carga de trabalho realizada nos laboratórios especializados e garantindo que uma quantidade maior de postos passassem pela medição.

Para isso, também está sendo estudada a medição em temperaturas diferentes, considerando a variação do clima fora dos laboratórios. Na primeira etapa da pesquisa, todos os dados foram avaliados em uma temperatura constante de 25ºC, usualmente utilizada nos laboratórios.

Funcionamento

Diferentes técnicas são utilizadas atualmente na medição, como a utilização de infravermelho ou análise em comparação ao espectro da luz. Contudo, segundo Allan Kardec, muitos métodos ainda não proporcionam resultados totalmente efetivos, podendo acontecer uma mudança nas propriedades químicas do combustível durante o processo, o que pode alterar a concentração anteriormente avaliada. “A grande diferença da nossa pesquisa é a exatidão”, afirma Kardec.

O sensor desenvolvido a partir da pesquisa utiliza as propriedades elétricas do combustível como medida de comparação relacionada à sua concentração. As frequências variaram de 100Hz a 2000 Hz e a concentração do biodiesel no diesel variou de B0 (diesel puro) a B9 (9% de concentração, o ideal atualmente segundo a lei). A partir disso, foram obtidos os valores da constante dielétrica (relacionada à capacidade de condução elétrica do combustível) para cada mistura, que apontando valores diferentes para cada concentração, mostraram medições precisas. Ou seja, invertendo a lógica dos fatores, com os valores de frequência e constante dielétrica da mistura, será possível afirmar qual a sua concentração.

Biodiesel

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o biodiesel é capaz de reduzir a poluição ambiental, é biodegradável e renovável. Ele pode ser extraído de fontes como mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja.

Além disso, ainda com dados do Ministério de Minas e Energia entre 2007 – quando o governo lançou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) – e 2014, foram economizados US$ 5,3 bilhões com a importação de óleo diesel.