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Mediterrâneo: 75% das crianças migrantes sofreram assédio ou agressão

Mediterrâneo: 75% das crianças migrantes sofreram assédio ou agressão

Fundo das Nações Unidas para a Infância lançou relatório que destaca as rotas da África Subsaariana para a Líbia e as travessias do mar com destino à Europa como algumas das mais perigosas e mortíferas do mundo para crianças e mulheres.

Em Mossul, no Iraque, Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou para aumento da violência. Milhares de pessoas chegaram nessa semana na região a sudeste da cidade, fugindo dos conflitos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou um relatório na terça-feira (28) que destaca as rotas da África subsaariana para a Líbia e as travessias do mar com destino à Europa como algumas das mais perigosas e mortíferas do mundo para crianças e mulheres.

De acordo com o relatório, 256 mil migrantes foram registrados na Líbia. Desse contingente, cerca de 54 mil são mulheres e crianças.

Além disso, acredita-se que pelo menos 181 mil pessoas – incluindo mais de 25.800 crianças desacompanhadas – tentaram chegar à Itália por meio de contrabandistas em 2016.

Na parte mais perigosa – do sul da Líbia para a Sicília –, uma em cada 40 pessoas é morta, apontou o UNICEF.

“As crianças e mulheres refugiadas e migrantes estão sofrendo com frequência de violência sexual, exploração, abuso e detenção ao longo da rota migratória do Mediterrâneo Central desde o norte da África até a Itália”, alertou o UNICEF no documento.

De acordo com a diretora dos Programas de Emergência do UNICEF, Afshan Khan, a rota é controlada principalmente por contrabandistas, traficantes e outras pessoas que procuram sequestrar crianças desesperadas e mulheres que buscam refúgio ou uma vida melhor.

O documento apontou que quase metade das mulheres e crianças entrevistadas sofreu abuso sexual ao longo da viagem. Em algumas ocasiões, durante várias vezes e em vários locais.

Além disso, cerca de três quartos de todas as crianças entrevistadas disseram ter “experimentado violência, assédio ou agressão nas mãos de adultos”, incluindo espancamentos, abuso verbal e emocional.

Diante da situação, o UNICEF pediu aos governos e países da União Europeia que adotem medidas urgentes para promover os direitos humanos e proteger as mulheres e crianças migrantes.

O relatório da agência da ONU se baseia em entrevistas realizadas com 122 pessoas, incluindo 82 mulheres e 40 crianças de 11 nacionalidades. Entre os menores interpelados, 15 são meninas entre 10 e 17 anos.

OIM alerta para aumento do deslocamento de Mossul em meio à escalada da violência

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou na terça-feira (28) que milhares de pessoas que fogem dos conflitos da cidade de Mossul, no Iraque, chegaram recentemente em abrigos no país destinados a deslocados internamente.

Segundo a agência, cerca de 1.650 pessoas chegaram terça-feira às instalações de Hamam al-Aleel e quase 2.800 chegaram à faixa aérea de Qayara na noite de domingo. Ambos os locais estão em Nineweh, no sudeste de Mossul.

“Esses números, entre os maiores em semanas, são apenas uma fração das 250 mil ou mais pessoas que ainda podem ser deslocadas do oeste da cidade, à medida que os combates aumentarem”, alertou a assessor de imprensa da OIM para o Iraque, Hala Jaber.

“Há uma preocupação séria com os 750 mil civis que estão presos na área ocidental densamente povoada, com as condições piorando diariamente, segundo relatos e testemunhos daqueles que conseguiram escapar”, acrescentou.

Desde o início dos esforços das forças iraquianas para retomar a parte ocidental da cidade em 19 de fevereiro, mais de 10 mil pessoas foram deslocadas na zona, de acordo com o Ministério de Migração e Deslocamento do Iraque (MoMD).

O campo de Qayara da OIM fornece atualmente abrigo para 4.472 famílias deslocadas ou 25.344 pessoas, com uma capacidade planejada para abrigar 10 mil famílias ou 60 mil indivíduos.

O local de emergência de Haj Ali está hospedando atualmente 1.565 famílias deslocadas, ou 6.994 indivíduos, com uma capacidade planejada para 7 mil famílias ou 40 mil pessoas.

Fonte: ONU Br