MP solicita reconstituição do caso de mulher morta pelo ex-marido

O Ministério Público solicitou uma nova perícia no caso da bancária Elizelda Vieira de Paula Alves (29 anos), que foi morta com um tiro na cabeça pelo seu ex-marido, Clodoaldo da Silva Alves (26 anos), no final do ano passado. Segundo o promotor de Justiça Carlos Róstão a reconstituição do crime, que é conhecida tecnicamente com reprodução simulada, foi solicitada porque o réu afirma que o disparo que atingiu a vítima foi acidental, contestando a alegação do MP que diz que o tiro foi intencional.

Para que não houvesse dúvidas durante um possível julgamento, o Ministério Público resolveu dar à Clodoaldo a chance de demonstrar na reconstituição como o crime ocorreu. Como não há dúvidas quanto à causa da morte de Elizelda, o promotor afirma que não há necessidade de exumação do corpo.

“O que nos motivou a pedir reprodução simulada, é que o Ministério Público funciona também como fiscal da lei. E durante o inquérito policial, em depoimento à polícia, o acusado disse que não atirou na vítima. Ele afirma que foi tomar a arma de Elizelda e a arma disparou, no entanto o Ministério Público não acredita nessa versão. Por isso, resolvemos dar ao acusado a chance de se explicar,” explica o promotor.

A reprodução simulada consiste na reconstituição da cena do crime e dos passos em que este se deu, a fim de trazer a tona detalhes que passaram despercebidos durante a primeira avaliação do caso e que podem trazer vantagens a uma das partes durante o julgamento. Contudo, o promotor ressalta que o acusado tem o direito de participar da reconstituição, mas não é obrigado a fazê-lo se entender que produzirá provas contra si.

Feminicídio

Conforme o inquérito policial, o crime foi classificado como doloso, isto é, quando há intenção de matar, com dois agravantes, um deles o fato de caracterizar feminicídio. Pela lei nº 13 104 do Código Penal Brasileiro, o feminicídio é uma das modalidades de homicídio qualificado e consiste em assassinato especificamente pela vítima ser mulher.

Segundo o dossiê Violência Contra as Mulheres, produzido no Senado Federal pela Comissão Parlamentar Mista sobre a violência contra a mulher, as principais motivações para o feminicídio são o ódio, o desprezo, o sentimento de posse ou da perda do controle sobre a mulher. Ainda conforme esse relatório, a maior parte desses casos está associado a alguém próximo à vítima.

Entenda o caso:

Na manhã do dia 26 de dezembro do ano passado, a bancária Elizelda Vieira foi morta a tiros em um hotel da cidade de Imperatriz. O Acusado pelo homicídio é o seu ex-marido Clodoaldo Alves.

De acordo com o delegado regional de Imperatriz Eduardo Galvão, que foi responsável pelas investigações preliminares, Elizelda esteve na recepção do hotel e pediu para falar com o marido, de quem já estava separada há alguns dias, e subiu até o quarto dele.

Minutos depois os funcionários afirmam ter ouvido um estampido, mas no primeiro momento não acreditaram que fosse um disparo de arma de fogo. Em seguida, o suspeito desceu aparentando tranquilidade, foi até a recepção e deixou o local sem esboçar reação que o denunciasse.

“Ele desceu muito tranquilo até a recepção, informou ao pessoal que ela (ex-mulher) estava quebrando tudo no quarto. Eles (funcionários) subiram às pressas e quando chegaram ao local a encontraram ainda arquejando, ainda com vida. Acionaram a polícia e o SAMU, mas, quando o socorro chegou, ela já havia entrado em óbito” afirmou o delegado.

Ainda de acordo com as investigações, a vítima teria denunciado o ex-marido por tê-la ameaçado com uma arma. Contudo, não chegou a registrar queixa contra Clodoaldo. Apesar disso, o fato ajudou a polícia a identificar o suspeito. A polícia também acredita que uma discussão tenha levado ao crime passional. Elizelda deixou dois filhos pequenos.