Usuários aprovam chegada do Uber; SMTT recua na fiscalização

A multinacional Uber começou a operar em São Luís na tarde de ontem (21) e, desde então, o assunto passou a ser intensamente discutido nas redes sociais. Em entrevista ao programa Ponto e Vírgula, da Difusora FM, o secretário Canindé Barros, da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirmou que a prática será coibida na capital com a apreensão de veículos que operem para o aplicativo. Além da apreensão, o motorista também será multado.

“Enquanto não for regulamentado, iremos apreender os veículos”, garantiu Canindé. Questionado sobre  apreensão de táxis piratas existentes em São Luís, o secretário negou que haja serviços irregulares do tipo na capital.

Na manhã de hoje, em entrevista a um jornal local, o secretário voltou atrás e afirmou que irá aguardar o posicionamento dos vereadores na Câmara Municipal para iniciar a fiscalização. O projeto que visa regularizar o serviço, de autoria do vereador Paulo Victor (PROS), será votado depois do Carnaval.

Secretário anunciou que irá aguardar posicionamento da Câmara. FOTO: Reprodução

POLÊMICA

Em entrevista ao MA10, o presidente do Sindicato dos Taxistas, Renato Medeiros, desmentiu boatos de que a categoria fará protestos bloqueando vias e dificultando a mobilidade da população em manifestação contra o Uber nos próximos dias. Apesar disso, Renato foi categórico ao afirmar: “não iremos aceitar o serviço”.

Ele diz que a concorrência é desleal por conta das muitas taxas pagas por taxistas para operarem no setor em São Luís. Caso o Uber seja legalizado, taxistas e motoristas do aplicativo irão ter conflitos, segundo o presidente. “Seguindo uma onda nacional, nós iremos brigar sim”, disse. “Se um taxista que paga suas taxas vir um motorista do Uber pegando um passageiro perto do seu ponto, sei que terá conflito”, destacou.

MAIS BARATO

A equipe de reportagem do MA10 testou os serviços na tarde de ontem, pouco depois da estreia do funcionamento do app na capital. Comparamos os valores com os ofertados em táxi e mototáxi. No veículo, um Gol preto, recebemos água e balas de iogurte gratuitas, como cortesia pela corrida. O motorista não precisou perguntar para onde iríamos, pois o aplicativo já havia traçado a rota, indicando o caminho mais curto e menos engarrafado até o destino, de acordo com a tela do GPS acoplada ao painel do carro.

Iniciamos nosso itinerário no Terminal de Integração da Cohama por volta das 16h30, com destino ao Centro da Cidade.

Com o Uber, pagamos R$ 14, 70. O pagamento foi realizado com cartão de crédito, antes da chegada do motorista ao local de onde sairíamos. O aplicativo mostrou em quantos minutos o motorista iria chegar e quantos veículos estavam disponíveis nas áreas adjacentes.

Perguntamos ao motorista como ele havia decidido trabalhar com o novo serviço em São Luís. Ele, um homem de 40 anos que prefere não se identificar para não ter represálias de colegas taxistas, explicou que é professor particular de inglês e que viu no Uber uma forma de ganhar uma renda extra.

“Ainda estou com medo do que pode acontecer, mas acho que no final das contas, seremos regularizados” contou.

Após a corrida, contatamos uma central de mototáxi na Cohama e orçamos o trajeto com o mesmo itinerário. A conta seria de R$ 16,00. No aplicativo EasyTáxi, a conta ficaria entre R$ 25,00 e R$ 34,00. Comparado ao táxi, o valor do Uber seria R$ 19, 30 mais barato.

Nas redes sociais, alguns usuários utilizaram o serviço na tarde e noite de ontem e opinaram sobre a experiência. Veja o que disseram alguns dos internautas:

https://www.facebook.com/tieza.cutrim/posts/1450465178326483?match=dWJlcg%3D%3D

 

 

 

 

 

 

 

https://www.facebook.com/cheffabiomatos/posts/1879801485599481?match=dWJlcg%3D%3D

O sub-prefeito do Centro de São Luís, Fábio Henrique Carvalho, apoiou a regulamentação e funcionamento do serviço em seu perfil no Facebook. Leia:

Meus amigos, calma, foi apenas uma palavra mal colocada, talvez. É questão de alguns dias para tudo se regularizar na…

Posted by Fábio Henrique Farias Carvalho on Tuesday, February 21, 2017

PROJETO DE LEI

Na Câmara, o vereador Paulo Victor (PROS) protocolou, no dia 23 de janeiro, o projeto de lei 001/2017, que visa permitir a atuação do app de corridas em São Luís. O projetado deverá ser votado nas próximas semanas.

No texto do projeto, o vereador argumenta que a crise econômica no Brasil e consequente elevado índice de desemprego está levando a população a procurar meios de renda alternativos. O texto argumenta, ainda, que a existência de leis federais que permitem o funcionamento do serviço “torna inconstitucional qualquer decisão que proíba a exploração da mesma”.

Ainda de acordo com o projeto de lei, dados da Prefeitura de São Luís informam que há seis empresas de táxi, que possuem cerca de 2400 trabalhadores ativos, para atender a população de São Luís, que, de acordo com o IBGE, é de 1.73.000.883 habitantes. Com isso, de acordo com cálculos do vereador, a média é de 1 táxi para cada 447 habitantes.

“A população clama por esse serviço. Nós estamos trabalhando para que o Uber pague um imposto anual, que pague uma taxa, assim como os taxistas pagam. Mas precisamos garantir o funcionamento do serviço”, afirma o vereador Paulo Victor, autor do projeto.

De acordo com o parlamentar municipal, a não regulamentação do Uber não quer dizer que ele seja proibido de funcionar. “O Yet Go, que é um serviço similar já está funcionando mesmo sem lei que regulamente”, explicou.

Renato Medeiros afirmou que a categoria já está, neste momento, dialogando com os vereadores no sentido de evitar que o projeto de Paulo Victor seja aprovado.

O projeto de lei tem o apoio do presidente do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON-MA), Duarte Júnior. O texto pode ser acessado neste link e deverá entrar em discussão no plenário nos próximos dias.