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Conselho das Quebradeiras de Coco Babaçu comemora dois anos

Conselho das Quebradeiras de Coco Babaçu comemora dois anos

Na sede da Associação de Mulheres Quebradeiras de Coco da Estrada do Arroz, em Coquelândia, muitos risos das mulheres quebradeiras de coco babaçu. Elas vieram das comunidades de Petrolina, São Felix, Olho d’Água, da Reserva Extrativista Ciríaco e também ali mesmo de Coquelândia, todas localizadas às margens da Estrada do Arroz, para a comemoração dos dois anos da criação do Conselho Comunitário das Quebradeiras de Coco Babaçu. Além destas comunidades, o conselho alcança ainda a reserva extrativista de Mata Grande, em Senador La Roque.

A organização luta pelos direitos das quebradeiras de coco junto ao poder público e pelo fortalecimento da cadeia produtiva do babaçu. Está em atividade desde outubro de 2014 e nasceu de uma parceria entre as várias associações de quebradeiras existentes na região e a empresa Suzano Papel e Celulose, que possui fábrica no município de Imperatriz, como parte de sua contrapartida social.

A coordenadora de projetos socioambientais da empresa, Ana Paula Soares, afirma que a partir da instalação da empresa em 2010, eles fizeram o primeiro contato com as quebradeiras, auxiliando as associações no beneficiamento do coco: “Eram reuniões separadas, com maquinário doado aqui, apoio ali, mas percebemos que isso não era o suficiente. Em 2014 decidimos fazer uma discussão maior e assim nasceu um grupo que reunia todas as associações, e também quem não tinha associação, e que daria origem ao Conselho. Durante todo o ano de 2015 fizemos reuniões com esse grupo para decidir como seria a sua representação e qual seria a discussão. Então em fevereiro de 2015 oficializamos o Conselho”, explica Ana Paula.

Já com uma entidade única e através da parceria e incentivo da Suzano, foram desenvolvidas diversas ações coletivas, entre elas cursos de capacitação para desenvolvimento de produtos derivados do babaçu, a construção de duas novas sedes em terrenos doados pela empresa e a reforma da sede já existente em Petrolina.

Terreno e prédio da Unidade de Beneficiamento de Coco foram doados pela Suzano.

Segundo o conselho, as sedes atendem diretamente cerca de 50 famílias e possuem as funções de organização da extração de amêndoas, azeite e outros produtos derivados e da força de trabalho, além da comercialização dos produtos.

Através dessas ações as quebradeiras garantiram que a extração e o beneficiamento do coco sejam feitos de forma comunitária e o lucro igualmente repartido. É o que afirma a Líder do Grupo de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu de Coquelândia, Zuleide Pereira de Sousa.

Aos 45 anos de idade, e quebradeira desde os nove, Zuleide conta que a coleta e o transporte são feitos em grupo. Logo que os frutos chegam às sedes são descarregados e cada quebradeira fica com a quantidade que conseguir descascar para obter a amêndoa.

“Depois da comunidade a gente junta tudo e todo mundo quebra junto. Antes, não tinha como fazer isso porque a gente não tinha nem local pra pôr o coco. E no caso de vendas grandes o lucro é todo dividido”, comemora dona Zuleide.

A atividade extrativista

Segundo o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), entidade nacional de representação das quebradeiras, mais de 300 mil pessoas vivem da extração do coco babaçu e deste total 99% são mulheres.

“Pra gente a quebra do coco é um divertimento e é o sustento das nossas famílias. Pena que as jovens não estão mais tão interessadas, até sabem quebrar, mas não querem. Eu temo que um dia a tradição possa acabar”, lamenta a líder do Grupo de Mulheres da comunidade de São Félix e também quebradeira de coco desde a infância, Raimunda Fernandes dos Reis.