Home Maranhão Estado de economia frágil, MA importa até “coador de café”

Estado de economia frágil, MA importa até “coador de café”

Estado de economia frágil, MA importa até “coador de café”

“O Maranhão importa quase tudo, até mesmo um simples coador de café, e esta alta taxa de importação, com tudo sendo comprado de outros estados é um dado preocupante que influi também nos números do nosso Produto Interno Bruto”. Esta  observação,  feita pelo economista José Henrique Braga Polary, coordenador de Ações Estratégicas da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão(Fiema) ilustra a preocupação de especialistas no tema, a respeito dos problemas históricos da economia maranhense, que refletem em indicadores como os divulgados pela empresa Tendência Consultoria Integrada no estudo no qual é informado que Produto Interno Bruto do Maranhão e de outros estados do país, sofreu um declínio acentuado nos últimos dois anos, por conta da recessão.

No caso do Maranhão, os números apresentados pelo estudo indicam que em 2016, o PIB(Produto Interno Bruto) do Estado registrou  em 2016 uma redução de 6,9%. Situação que também foi vivenciada por outros estados, conforme mostram as estatísticas do estudo onde  é ressaltado que em 12 estados e no Distrito Federal, a queda no PIB foi tão drástica que os percentuais alcançaram valores menores alcançados em 2010.

José Henrique  Polary pondera que este estudo, embora não seja realizado por uma fonte oficial, deve ser levado em consideração por se tratar de empresa de consultoria com grande credibilidade no mercado . Ele ressalta que nos estados que formam o bloco “MATOPIBA”, composto pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia o impacto da queda do PIB foi bem maior principalmente por conta de problemas as safras de produtos como a soja e o milho, que no caso maranhense exercem um peso considerável dentro da produção agrícola do Estado. O economista observa entretanto, que a participação da agricultura no PIB maranhense não alcança 12% e o maior percentual de presença do PIB do Estado, estimado em torno de 70% concentra-se na área de comércio e serviços e com este histórico de “importar quase tudo” o Maranhão acaba transferindo renda para outros estados, o que reflete nos números do PIB.

As observações de José  Henrique Polary são  reforçadas pelo Secretário de Estado de Indústria e Comércio, Simplício Araújo. Ele  admite essa realidade vivenciada pelo Estado e que tem  um impacto considerável nos indicadores com o PIB,.  “ O Maranhão tem um nível de dependência muito forte de outros estados. Em 2014, nós importamos 85% de tudo que consumimos e isto mostra o nível de dependência econômica que temos e quanto de emprego e renda geramos em outros estados”. Comenta Simplício Araújo destaca que além da conjuntura nacional marcada pela recessão, outro fator decisivo para a queda do PIB no estado é a herança de gestões anteriores que na avaliação do secretário contemplavam apenas os grandes empreendimentos e não observavam a questão das cadeias produtivas locais.

Em nota distribuída a imprensa, o governo do Estado do Maranhão por meio do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), informa que a variação real do Produto Interno Bruto (PIB) maranhense  divulgada no estudo da Tendência Consultoria Integrada é apenas estimativa . O Imesc também trabalha com projeção de queda do PIB no Estado mas apresenta como valor máximo deste declínio o percentual   de 4,8% em 2016, seguindo tendência nacional de queda e acrescenta que  os dados oficiais do IBGE relativos à variação do PIB dos Estados em 2016 serão divulgados somente em novembro de 2018._

Ao contrário da afirmação de Simplício Araújo, a nota do Imesc não trata da questão das cadeias produtivas no Estado, e da histórica tradição de importar quase tudo que a população consome, atribuindo entre os fatores responsáveis por estes números está a quebra de safra de grãos no Estado em 2016, em função da forte estiagem ocasionada pelo fenômeno El Niño. A nota do governo do Estado ressalta ainda que  para 2017 a projeção é a retomada  do crescimento do Produto Interno Bruto maranhense deverá alcançar índice de 2,7% este ano.

Em postagem feita no twiiter, um pouco depois do horário do café da manhã, o governador Flávio Dino criticou os números divulgados pelo estudo que foi realizado a nível nacional e alertou que ainda não existem indicadores oficiais sobre o PIB dos Estados em 2016.  “Chute tendencioso sobre PIB do Maranhao só serve para desinformar e agredir. Ainda não existe número oficial do PIB 2016. Essa é a verdade”, comentou o governador.

O que é o PIB

Um dos chamados indicadores da Macroeconomia, o PIB é uma  medida do valor dos bens e serviços que um determinada região produz. O principal objetivo deste indicador é mensurar a atividade econômica e o nível de riqueza de uma região. Quanto maior a produção, maiores são os niveis de renda, consumo e compra que acabam sendo refletidos no PIB, e isto explica por que este indicador geralmente apresenta queda em períodos de recessão.