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“É uma sensação de guerra”, diz morador do Espírito Santo

“É uma sensação de guerra”, diz morador do Espírito Santo

Medo e insegurança. É o que está sentindo a população do Espírito Santo, que vive onda de violência após a paralisação das atividades dos Policiais Militares. Criminosos estão tomando as ruas, saqueando lojas e atirando em quem passe nas proximidades. “Está sendo uma sensação de guerra”, afirma um morador do bairro Jardim Cambori, localizado na área nobre de Vitória, capital do Estado. “Todos trancados em casa, carros roubados abandonados. Preciso sair na rua, mas estou apavorado”, complementa.

Mara*, que também mora no bairro, está aflita. ” Estamos vivendo dias de desespero, trancafiados dentro da nossa própria casa. Na rua onde eu moro, ocorreram assaltos com tiro. Bandidos passando de moto com arma em punho. A população capixaba não dorme”, disse. Ela ressalta que  em bairros mais carentes está sendo determinado toque de recolher e em outros locais alguns condomínios proibiram a saída dos moradores a partir das 18h e também vetaram pedidos de entrega de comida nos apartamentos.

 

Já Lucas*, nascido em Caxias-MA, que se mudou para Vitória há 5 anos, mora com a esposa e os filhos, que não saem de casa. “A situação aqui está crítica. Lojas fechadas, muitos assaltos na rua. Até as igrejas cancelaram sua programação semanal”, relata. Ele  explica que mesmo nesta terça-feira (7), o comércio ainda está parado. “Saí hoje pela manhã para dar uma olhada, mas está tudo fechado”, disse. Os comerciantes fecharam as suas portas desde que começaram as ações criminosas, na segunda-feira (6), principalmente quando as lojas começaram a ser invadidas e saqueadas.

Sem sair de casa há 2 dias,  Lúcia*, estudante de universidade local, presenciou uma ação ontem à noite. Ao olhar para a avenida onde mora, Nossa Senhora da Penha, por volta das 22h, ela viu três homens entrando em um restaurante nas proximidades do apartamento onde mora. “Eles estavam arrebentando o portão. Você não pode fazer nada, não tem para onde ligar. O carro do exército passou umas duas, três vezes”, afirmou, explicando que quando os oficiais apareciam, o grupo corria para dentro do restaurante, se escondia e apagava as lanternas que estava usando. Quando o carro se afastava, continuavam o roubo normalmente. Contou que também tem conhecimento de casos onde foram anunciados arrastões, que estão mantendo a população dentro de casa, com medo. “Como cidadã, me sinto desprotegida. A vida parou, as lojas e supermercado fecharam, as aulas foram canceladas. Preciso sair para fazer compras, mas não posso. Uma amiga minha relatou que ao lado do prédio dela, tentaram entrar e fazer os moradores de reféns”, explicou.

Mariana*, servidora pública, por sua vez, teve o carro da família arrombado. “Passamos o dia inteiro presos dentro de casa ontem. Nossa rua, que é uma das mais movimentadas do município de Vila Velha, ficou completamente vazia o dia todo. Por volta das 10 da manhã, nós ouvimos um tiroteio na rua de trás, e depois soubemos que ladrões trocaram tiros com uma equipe da guarda municipal armada, ferindo inclusive um guarda. Ontem à tarde, por volta das 15h30, minha mãe foi até a varanda do nosso apartamento e viu que a porta do carro do meu pai estava completamente aberta. Com medo de descer sozinha, ela esperou 15 minutos para que alguém do prédio a acompanhasse. Os ladrões forçaram a porta e conseguiram entrar, mas como não tinha nada de valor dentro, rapidamente saíram. O porteiro do prédio da frente viu a ação e disse que foi tudo muito rápido. Infelizmente estamos reféns, à mercê dos bandidos que passam em grupo ameaçando as pessoas e roubando o que podem. Apesar de o exército estar patrulhando as ruas, eles são poucos para dar conta de tanta gente. O prejuízo do comércio é incalculável, meu cunhado tem um restaurante que está de portas fechadas há dois dias e, além de não poder abrir, ele teve que contratar segurança particular para evitar saques e arrombamento”, contou

Conheça o caso

A falta de policiais nas ruas está sendo causada por mobilização organizada por familiares dos PM’s, principalmente suas esposas, que reivindica reajuste salarial e benefícios. Os protestantes bloqueiam a entrada dos batalhões na área da grande Vitória, impedindo o trabalho dos oficiais.  O protesto está acontecendo desde a sexta-feira (3), quando foi anunciada a paralisação das atividades.

Dados do Sindipol/ES (Sindicato dos Policiais Civis do Estado), apontavam ao menos 58 homicídios foram registrados até ontem, sendo 33 apenas nesta segunda-feira (6).

 

 

* O nome dos envolvidos nos depoimentos foram alterados, por questões de segurança