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Discurso de guerra influencia crimes cometidos contra PMs

Discurso de guerra influencia crimes cometidos contra PMs

Diante de recentes casos que ocorreram no Maranhão contra servidores que trabalham com a segurança pública, como o assassinato da policial civil Iran C. Santos  e o óbito do agente penitenciário Viterbo Nunes , têm alertado o estado para a vulnerabilidade desses profissionais a crimes contra sua vida. Ainda que as investigações não apontem relação entre a profissão deles e o crime contra os mesmos, os casos refletiram no fato de que muitos profissionais da área não se sentem seguros em sua atividade.

Segundo informações do Fórum de Segurança Pública, a Pesquisa de vitimização e percepção de risco entre profissionais do sistema de segurança pública, que avaliou cerca de 10.323 policiais e outros profissionais da segurança no país aponta que Policiais Militares são os maiores alvos de vitimização e percepção de risco na profissão, sendo 44,5% do público total analisado. Em segundo lugar, estão os policiais civis, com 21,2% deste número. O historiador e pesquisador em segurança pública Paulo Henrique Matos afirma que isso acontece porque os PM’s trabalham diretamente com policiamento extensivo, ficando mais vulneráveis a crimes durante o trabalho.

Contudo, um dado que tem destaque no estudo é que 75% dos casos registrados de crimes a oficiais acontecem fora do serviço. Entre os fatores que mais causam insegurança na atuação profissional estão a impunidade, falta de apoio da sociedade, falta de apoio do comando e falta de equipamentos pessoais de proteção. O Maranhão também conta com dados negativos sobre a situação, sendo considerado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no  10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, como o estado do país onde houve o maior aumento de número de mortes de policiais militares em 2015.

Paulo Henrique afirma que uma motivação para isso é um discurso de guerra que está sendo estabelecido, no momento em que se formam agentes de segurança pública como soldados, guerreiros. “Porque quando você prepara um prestador de serviço de segurança pública para a guerra, ele se comporta como um guerreiro. Da mesma forma que ele pode agir como perpetuador de um ato de violência, ele pode também ser vítima, porque isso tem retorno. Então, essas execuções [os recentes casos do Maranhão], se forem execuções, não são necessariamente uma via de mão única. Elas provocam represália por parte da polícia”, explica. As ofensas de dois lados enfatizaria esse discurso e geraria um ciclo de violência.

“No Brasil inteiro, o trabalho do policial é acompanhado da letalidade, justamente em função deste discurso da guerra, um discurso bélico. Ele é enquadrado na polícia militar como guerreiro, soldado combatente. Então isso tem uma simbologia, uma carga simbólica muito grande sobre um jovem. Imagine um jovem de 19 anos, recém saído da escola, que vai para uma academia de polícia militar e já é enquadrado como soldado combatente”, explana ele.