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Em crise, hotéis de SL propõem redução do ISS e criação do IPTU Verde

Em crise, hotéis de SL propõem redução do ISS e criação do IPTU Verde

O fechamento  do Flat Number One, que sempre esteve entre os preferidos das empresas em São Luís, deságua para a queda do turismo de negócios na capital. É o terceiro hotel que fecha suas portas do ano passado para cá. Fecharam também o  L´authentique e o Bellagio, ambos com alto padrão. A carga tributária municipal é uma das principais reclamações. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Maranhão (ABIH-MA) solicitou à Prefeitura a redução de 5% para 2,5% do ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, tal como ocorre noutras cidades turísticas, como Fortaleza (CE).

A proposta foi recebida pela secretária municipal de Turismo, Socorro Araújo, que disse  ao MA10 acreditar mais na alternativa de uma força conjunta entre os poderes público e privado.  “Será que reduzir imposto resolveria? Precisamos discutir o turismo como um todo”, disse. “Vamos reativar o Conselho Municipal de Turismo para discutirmos com secretarias e entidades afins: Sebrae, Fiema, entre outros”, propôs, estimando a primeira reunião até final de fevereiro.

Socorro Araújo vai reativar Conselho Municipal de Turismo (Foto: A.Baeta)
Socorro Araújo vai reativar Conselho de Turismo                         (Foto: A.Baeta)

Um dos fatores significativos para a queda do turismo de negócios, segundo a secretária, é a falta de uma organização que fomente

congressos e encontros.  A Fundação São Luís Convention & Visitors Bureau realizava ações desse tipo, mas exonerou sua diretoria em 2o16 e está inativa. “Não temos mais organização focada na captação desses eventos, e isso vai além do alcance do poder público”, ressalta a secretária.

Outro fator para a baixa do turismo de negócios em São Luís é que empresas estão substituindo as reuniões presenciais pelas videoconferências para reduzir custos, além da concorrência de aplicativos como o Airbnb que já oferece na capital hospedagem em residências com diárias reduzidas em mais de 100% das praticadas pelos hotéis.

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Barros reivindica ações públicas (Foto: Arquivo ABIH/MA)

O presidente da ABIH/MA, João Barros, disse que reconhece todos os fatores negativos e também que o cenário é o mesmo em outros Estados do Brasil, a exemplo do Rio Grande Sul, onde em um ano cerca de duas mil unidades ou apartamentos foram fechados. Em Salvador (BA), do ano passado para cá 20 hotéis foram fechados.

“Não temos políticas públicas para o turismo no Brasil. Basta comparar com o México onde o investimento é 40 vezes maior”, analisa. “Ou essa visão muda, ou o turismo será cada vez mais prejudicado, resultando em quedas de empregos e gerando mais violência, pois a cadeia negativa tem longo alcance”, disse ele.

O MA10 ouviu as referências do setor sobre o cenário atual. Veja o que disseram:

 

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Arroz de cuxá: atrativo turístico                               (Foto: Passeio Urbano)

Impostos diferenciados e Gastronomia

“Nós somos dependentes do poder público. Sem a parceria do Governo e Prefeitura será impossível reverter este quadro. Felizmente, o Governo vem revertendo a imagem negativa causada pela poluição das praias e insegurança. Mas precisamos de mais ações. Apresentamos duas propostas à Prefeitura para ISS diferenciado para rede hoteleira e para o IPTU Verde. O hotel pagaria IPTU reduzido se cumprisse as condições de aumentar contratação de pessoal, realizar destinação correta de resíduos sólidos e utilizasse energia limpa. Além disso, precisamos divulgar melhor São Luís, que não é apenas Centro Histórico, pois temos também uma gastronomia fantástica”.

João Barros, presidente da ABIH/MA

Vários fatores

“São vários os fatores envolvidos neste fechamento do Number One. O baixo fluxo de turismo de negócios, os aplicativos que oferecem hospedagem em residências, as notícias negativas que vinham sendo divulgadas sobre poluição das praias e falta de segurança, além da falta de fomento do evento de negócios. Existem hotéis renata costade alto padrão que estão operando com tarifas baixas para manter seu funcionamento, mas taxa de ocupação alta com tarifa baixa pode apresentar risco de redução de investimentos nos equipamentos do hotel”.

Renata Costa, vice-presidente de Serviços e Turismo da Associação Comercial do Maranhão

 

Tarifa de energia

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“Sempre analisamos a ocupação dos hotéis junto com a ABIH e já estava previsto que isso aconteceria no Number One, devido à baixa ocupação pelo turista de negócios, que era o perfil do hóspede deles. Uma das alternativas para reverter essa baixa é o que acontece no Ceará. Lá, além de os hotéis pagarem o ISS reduzido, a tarifa de energia pública é diferenciada. É preciso incentivo, pois um hotel só fecha suas portas quando não consegue mesmo sustentar seus custos”.

Antonieta Uchôa, presidente da ABAV/MA- Associação Brasileira das Agencias de Viagem

 

Captação de eventos

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“É mais barato investir no turismo de negócios, além de ser muito maior a rotatividade de turistas , uma vez que os congressos e encontros vão dos segmentos da estética ao jurídico. É um grande potencial, mas é preciso buscar esses grandes eventos, mostrar para os organizadores das outras cidades quais os benefícios que teriam ao sediar seus eventos em São Luís. E os maranhenses precisam enxergar o turismo como investimento mesmo. Entender que se o Governo investir R$ 1 milhão em turismo não será por vaidade, é para geração de renda, pois o alcance positivo vai além dos equipamentos do turismo, atingirá positivamente a renda do micro, pequenos e grandes empresários e também dos prestadores de serviços. Enfim, todos ganharão”.

Ana Carolina Medeiros, diretora de Receptivo da ABAV/ MA- Associação Brasileira de Agências de Viagem